Santiago do Chile

Em janeiro vai completar um ano que estive em Santiago do Chile e, pra minha vergonha, eu ainda não escrevi nada sobre esse destino que me cativou por diversas razões. Agora, depois desse tempo todo, surgiu um motivo especial pra escrever a respeito da cidade: uma amiga querida está indo pra lá e eu faço questão de deixar aqui minha impressão e minhas dicas sobre Santiago.

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Reservamos, pelo Booking.com, um simpático apartamento no Lastarria Santiago Suite, uma espécie de apart-hotel que fica a meia quadra da rua que leva o mesmo nome, onde há diversos bares e restaurantes. O Cerro Santa Lucia também fica bem pertinho, assim como diversos outros pontos de interesse, como o Parque Forestal e o Museu de Bellas Artes. O bairro Bellavista e o Cerro San Cristobal também não ficam longe – a caminhada é um pouco mais longa, mas é plenamente possível ir a pé.

Sobre o apartamento: como mostram as fotos do Booking, o apartamento conta com um quarto e uma sala amplos, uma mini-cozinha equipada com o essencial e um banheiro. Não é servido café da manhã, mas há serviço de limpeza diária. Apenas alguns apartamentos do prédio fazem parte do Lastarria Santiago Suite; portanto, não há recepção (apenas a portaria normal do prédio) e pode ser um pouco difícil identificar o local, já que não há placas ostensivas. Gostei da experiência, e, sobretudo pela localização, me hospedaria lá de novo tranquilamente.

Sobre a cidade: Santiago é uma mistura entre o moderno e o antigo. Ao mesmo tempo em que há arranha-céus gigantescos e espelhados (o que lhe rendeu o apelido de “Sanhattan”, em uma comparação com Manhattan), há construções antigas muito bonitas e bem conservadas. Os Andes, que rodeiam a capital chilena, tornam a paisagem muito interessante – fui no verão, mas imagino que no inverno deve ser ainda mais bonito por conta da neve nas montanhas. A cidade não tem o charme que, a meu ver, tem Buenos Aires, mas é, sem dúvida, um lugar muito cativante, inclusive pelos moradores, que são extremamente bem-educados (pelo menos essa foi a nossa impressão – mais de uma vez, com o mapa em mãos, fomos abordados por locais oferecendo ajuda). O clima ajudou a visita: embora fosse bastante quente durante o dia, à noite era super agradável, e às vezes um casaquinho era até necessário.

Santiago conta com diversas atrações. Os “cerros” são, sem dúvida, atrações imperdíveis – tanto o Cerro Santa Lucia como o Cerro San Cristobal. O Cerro Santa Lucia não é tão grandioso como o San Cristobal, mas é muito charmoso, com seus jardins floridos, repletos de estatuetas e mirantes. Há até um castelo – Castillo Hidalgo -, mas no dia em que visitamos estava fechado e, pra falar a verdade, não lembro exatamente o que tem por lá. Vale reservar pelo menos umas duas horas pra aproveitar bem o Cerro Santa Lucia.

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Cerro Santa Lucia

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O Cerro San Cristobal, por outro lado, impressiona por seu tamanho e pela vista magnífica da cidade que se tem a partir de lá. Faz parte do Parque Metropolitano de Santiago, e as atrações por lá são inúmeras: jardins, áreas para picnic, mirantes, trilhas, zoológico, piscinas (não cheguei a ver, mas sei que tem!) e até um santuário. O parque conta com diversos acessos, e é possível subir a pé, por meio de um funicular ou de carro. O funicular pode ser acessado por quem chega através da Rua Pio Nono e funciona até às 19h (vale conferir os horários certinhos no site do parque – nós pegamos o último funicular para subir e tivemos que descer a pé, quando já estava escurecendo; demora um pouco mais de uma hora para fazer o percurso, e ainda acabamos saindo por um acesso diferente e fomos parar em outro bairro). Com certeza é passeio obrigatório em Santiago.

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Cerro San Cristobal

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Perto do Cerro San Cristobal fica La Chascona, uma das casas de Pablo Neruda que hoje abriga um museu; infelizmente não pudemos visitá-la.

Outro passeio obrigatório, na minha opinião, é o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos. O museu conta a história da sangrenta ditadura militar que imperou no Chile de 1973 a 1990. É um passeio “pesado”, mas essencial pra quem se interessa por história; vale reservar uma tarde toda para a visita. Informações podem ser obtidas no site do museu. A entrada é gratuita. Pra chegar até lá, basta descer na estação de metrô Quinta Normal – nome de um parque muito bonito que fica ali por perto e que também vale a visita. Aliás, o metrô é uma opção de transporte muito conveniente por lá; gostamos da experiência nas poucas vezes em que o utilizamos.

O centro histórico merece, igualmente, uma visita, sobretudo a Plaza de Armas; não se pode deixar de ir, também, ao Palacio de la Moneda, sede da Presidência do Chile e um dos pontos mais emblemáticos de Santiago – um pouco da história que envolve esse marco da capital chilena pode ser vista no Museo de la Memoria. Não conhecemos o Palacio de la Moneda por dentro; é preciso agendar para fazer uma visita guiada. O Mercado Central, a meu ver, é um passeio dispensável – não há nada muito atraente por lá, e o mercado é bastante pequeno. De resto, o Parque Forestal, que fica perto do Cerro Santa Lucia, também é bastante bonito; logo em frente estão o Museo Nacional de Bellas Artes e o Museo de Arte Contemporaneo, que não visitamos. Há também os bairros “ricos” – Vitacura, Providencia e Las Condes (acabamos “caindo” em um deles no nosso retorno do Cerro San Cristobal, mas não lembro qual era); neste último fica o shopping Alto las Condes, com várias lojas conhecidas – não posso dar detalhes, porque não fiz compras durante essa viagem.

Outro ponto alto da visita à capital chilena é a parte gastronômica. Há restaurantes e bares muito bons por lá. O meu preferido foi o Bocanariz, um bar de vinhos com ampla variedade em taças (tanto de vinhos quanto de espumantes) e uma comida muito, mas muito boa. Experimentei desde a tábua com frios, ostras e outras iguarias até o assado de tira com purê de abóbora (ou algo assim), que era muito bem feito. O ambiente é bonito (e bastante movimentado) e o atendimento, considerando o “fervo”, é bom. No TripAdvisor, está classificado em quinto lugar entre os restaurantes de Santiago. O preço é bem razoável – dividi três pratos, bebi três (ou quatro – quem conta?!) taças e gastei cerca de R$ 100,00. Infelizmente não tenho nenhuma foto do restaurante. Ficava super pertinho do nosso apartamento, na Rua José Victorino Lastarria, região que, como já mencionei, conta com diversos bares e restaurantes.

No bairro Bellavista também há inúmeras opções de bares e restaurantes. No Patio Bellavista – uma espécie de shopping a céu aberto – há algumas opções que parecem boas, mas não chegamos a conferir nenhuma delas; os bares e restaurantes que se situam nas ruas adjacentes são mais atrativos. Fomos no Uncle Fletch (nº 16 no ranking do TripAdvisor), um bar com ótimos hamburgueres e vários rótulos de cervejas especiais, tanto em garrafa como em torneira. O ambiente é bem descolado.

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Uncle Fletch

No mesmo bairro, fomos no concorrido Como Agua para Chocolate, que achei apenas bom, nada demais; as bebidas lá, tanto alcoólicas como não alcoólicas, são bastante caras, e no cardápio há desde peixes até fajitas. Cada prato custava cerca de R$ 50,00.  Não é uma má opção, mas eu não voltaria lá.

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Como Agua para Chocolate

Quando fomos visitar o Museo de la Memoria, almoçamos antes no Boulevard Lavaud, um restaurante com diversos ambientes simpáticos, com móveis antigos e uma barbearia contígua. É um restaurante bastante bom – meus parceiros de viagem pediram um salmão ao molho de laranja que foi aprovado com louvor por todos; eu pedi um cordeiro, que estava bom, mas nada demais. De sobremesa, pedi um trio de crème brûlée que achei um pouco sem graça. O preço era condizente com o que era servido – nem caro, nem barato.

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Boulevard Lavaud

Recomendo também o restaurante El Txoko, um espanhol muito bom. As porções são muito bem servidas, como mostram as fotos – entre duas mulheres dá pra dividir tranquilamente. Eles oferecem ótimas opções de pratos com peixes, mas também há pratos com carnes. O preço era bem razoável e o ambiente era acolhedor. Fica próximo ao Cerro Santa Lucia.

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Pratos do El Txoko

A partir de Santiago, é possível, também, visitar as vinícolas que se situam na região – entre elas, a famosa Concha y Toro. Não chegamos a ir a nenhuma, pois recém havíamos estado em Mendoza, onde passamos os dias em algumas vinícolas. Pelo que pesquisei, sei que é possível ir até a Concha y Toro de transporte público (combinado com um táxi).  A visita pode ser agendada no site da vinícola. Aliás, agendar visitas a vinícolas é essencial pra que o programa não acabe frustrado.

Muita gente faz bate-volta até Viña del Mar e Valparaíso. Nós acabamos passando dois dias em Viña del Mar – o que é assunto para um próximo post. A viagem dura cerca de uma hora e há ônibus entre as duas cidades de quinze em quinze minutos. Os horários e preços podem ser consultados no site da TurBus.

Quem pensa em visitar vinícolas e fazer bate-volta até Viña e Valparaíso deve considerar pelo menos seis dias por lá (a depender do número de vinícolas a visitar); para conhecer razoavelmente bem Santiago, são necessários no mínimo três dias. No inverno há mais uma atração bastante concorrida: as estações de esqui. O Viaje na Viagem montou um roteiro bem interessante que inclui informações sobre como subir a montanha e como visitar Viña e Valparaíso.

Sobre qual moeda levar: o dólar é, em geral, bem aceito no Chile; em alguns hotéis, como era o caso do nosso, quem pagasse em dólares não arcava com uma determinada taxa. Convém, portanto, levar dólares e trocar uma parte por pesos chilenos para as despesas ordinárias. No centro há casas de câmbio; sempre é bom comparar as cotações.

Por fim, a dica que vale tanto para o início quanto para o final da viagem: aproveite a linda vista dos Andes que se tem a partir da janelinha do avião – é só o começo (ou o sempre triste fim) de uma ótima viagem! 😉

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2 comentários sobre “Santiago do Chile

    • Olá! Não sei responder com certeza, pois estive apenas no verão em Santiago, mas acredito que nessa época já é possível encontrar neve pelo menos nas estações de esqui.. Talvez o site viajenaviagem.com.br possa responder mais adequadamente a tua pergunta! 🙂

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