A passageira indica: Restaurante Casa Valdés

Voltando ao Chile: tenho de reparar uma omissão imperdoável – esqueci de falar de um dos melhores restaurantes de frutos do mar a que já fui, o Casa Valdés.

O Casa Valdés fica em Puerto Varas, bem pertinho do hotel em que nos hospedamos, o Cabanas del Lago. No último dia na cidade, resolvemos almoçar lá, já que havíamos lido ótimas avaliações no Trip Advisor. O restaurante fica bem em frente ao lago e praticamente todas as mesas oferecem uma linda vista.

Já na entrada, é possível avistar um tanque em que eles mantêm alguns dos frutos do mar que utilizam nos pratos, o que garante que o produto é o mais fresco possível. O interior do restaurante, que fica em uma construção de madeira, é muito agradável.

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De couvert, foram servidos os sempre presentes pãezinhos (quentinhos, aparentemente feitos na hora) acompanhados de manteiga. O cardápio conta, basicamente, com pratos compostos por frutos do mar. Foi bem difícil escolher, já que a descrição de todos era de dar água na boca, mas acabei optando por um ensopado de frutos do mar – melhor escolha impossível! O ensopado era muito saboroso e tinha uma fartura impressionante de frutos do mar…

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Meu namorado escolheu peixe grelhado com legumes salteados – não lembro que peixe era, só sei que foi indicação do garçom, que afirmou que o peixe havia chegado naquela manhã no restaurante (o garçom que nos atendeu, aliás, era muito atencioso). O prato, segundo ele, estava sensacional: peixe no ponto e tudo super saboroso.

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A carta de vinhos era bem grandinha. Eu pedi uma taça de vinho branco (não lembro qual – nem o nome, nem a uva), que custou R$ 15,00. O meu prato, por outro lado, custou cerca de R$ 50,00, preço super justo tendo em conta a qualidade do ensopado, sem dúvida o melhor que já provei. Em resumo: ótima relação custo-benefício para uma refeição maravilhosa.

O quê? Restaurante Casa Valdés Onde? Santa Rosa 040 – Puerto Varas

Restaurante em Montmartre: Le Nouveau Carillon

Hoje vou deixar a viagem Chile-Argentina um pouco de lado pra indicar um restaurante bem digno na região de Montmartre, em Paris: Le Nouveau Carillon.

Montmartre é uma região bastante turística, principalmente pela Basílica de Sacré Coeur (Basílica do Sagrado Coração) e pelo Moulin Rouge; nesse tipo de região, é relativamente fácil cair em um restaurante “pega turista”, onde não se come lá muito bem e se paga caro por isso. Tendo isso em mente, fui para Montmartre preparada, levando a indicação de uma creperia super bem avaliada no Trip Advisor (Creperie Broceliande, classificada pelos leitores do site em 21º lugar dentre 13.756 restaurantes em Paris). Mas um imprevisto fez a gente parar no Nouveau Carillon: começou a chover e o fato de termos duas sombrinhas para quatro pessoas não nos encorajou a seguir caminho. Como o garçom era muito simpático e o restaurante pareceu ser a melhor opção dentre os que haviam naquele ponto, escolhemos uma mesa na parte interna e ficamos por ali mesmo.

Imaginei que seria um daqueles restaurantes “pega turista”, principalmente pela localização – bem no início da rua Abbesses, pertinho da estação de metrô. Mas, felizmente, eu estava enganada: o Nouveau Carillon é, como eu disse antes, bem digno: os pratos são bons, bem apresentados e o preço é justo.

Como eu tinha a impressão de que seria um “pega turista”, optei por uma massa (porque massa, na minha opinião, está sujeita a uma margem de erro menor, hehehe) com salmão defumado, que estava bem saborosa.

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Meu pai e a namorada escolheram um entrecôte acompanhado de folhas verdes, batatas fritas e um molho que era maravilhoso!

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Meu namorado pediu um cheeseburger, que, segundo ele, estava ok (não provei, mas achei a cara boa).

DSC07320Os pratos custavam entre 15 e 20 euros (preços referentes a outubro de 2014), o que, para Paris (e para uma área essencialmente turística), é um bom preço. O ambiente era agradável e o atendimento era simpático.

Em resumo, o Nouveau Carillon é uma opção honesta para quem visita a região de Montmartre – certamente não foi o melhor restaurante da viagem, mas também não deixou muito a desejar.

O quê? Nouveau Carillon; Onde? 1, Rue des Abbesses, Paris; Estação de metrô: Abbesses.

De Mendoza a Viña del Mar de ônibus

Como já falei em um post anterior, quem está em Santiago pode ir a Mendoza (ou vice-versa) de duas formas: de avião ou de ônibus. A viagem de avião tem uma vantagem imbatível: dura cerca de 30 minutos – ou seja, pra quem tem o roteiro apertado, é a escolha ideal. Mas a viagem de ônibus, embora seja beeeem mais demorada, vale como um passeio por si só.

Como também já falei, nós optamos por ir a Mendoza de avião e voltar até o Chile de ônibus. Nosso destino no Chile era Viña del Mar, a cerca de 400km de Mendoza. Cerca de 15 dias antes da data da viagem, acessamos os sites de duas empresas que fazem a rota para pesquisar preços e horários: a Andesmar e a Cata Internacional. Optamos por comprar na Cata. O site não é nada complicado; foi bem fácil comprar e realizar o pagamento com cartão de crédito. As passagens são emitidas na hora – não se trata de um voucher, então não é necessário fazer qualquer procedimento para retirada de passagens no dia. Pagamos em torno de R$ 150,00 por pessoa. O ônibus deveria partir de Mendoza às 9h30 e chegar em Viña às 16h20 – não sei se esse horário é diário; melhor checar no site da empresa.

No dia da viagem, chegamos no terminal de Mendoza e fomos até o escritório da Cata para perguntar de qual box o ônibus partiria. Em seguida, nos dirigimos ao box e esperamos por alguns minutos até o ônibus estacionar. Os caras que colocam as malas no porão do ônibus pedem “propina”, então vá preparado com algumas moedinhas (eles aceitam qualquer coisa, inclusive reais). O ônibus tem dois andares; no andar inferior, ficam os passageiros que optam pelo “serviço cama executivo”; no andar superior, ficam aqueles que escolhem o serviço “semi cama”. Optamos por comprar as duas primeiras poltronas do andar superior, de onde se tem uma visão panorâmica do caminho. Aconselho fortemente escolher essas poltronas, pois a vista que se tem é imperdível; acredito que quem viaja nas demais poltronas não consegue ver metade da beleza do caminho. Pra quem for fazer o mesmo trajeto (ou o trajeto Mendoza-Santiago) e não conseguir as poltronas da frente, o negócio é sentar do lado direito do ônibus, lado em que fica o Aconcágua e a partir do qual é possível visualizar melhor os famosos “caracoles”.

O ônibus é bem confortável. Antes do início da viagem, eles distribuem alfajores aos passageiros e servem 7UP (refrigerante de limão). No meio da viagem, distribuem bandejas com um sanduíche de presunto e queijo, um pacotinho de bolachas doces e outro de bolachas salgadas, além de mais refrigerante. A viagem é longa e, ainda assim, é o suficiente, sobretudo pra quem tomou um bom café da manhã. Eu não sabia se haveria refeições a bordo, então levei sanduíches, bolachas e água. Salvo engano há água disponível durante toda a viagem – não sei dizer ao certo porque acabei bebendo da água que levei.

Antes mesmo de deixar Mendoza para trás, o visual já impressiona: as cordilheiras estão à frente e, nas laterais, algumas das dezenas de vinícolas existentes na região. O resto do caminho é tão bonito quanto; eu não tenho palavras para descrever quão maravilhoso e emocionante é cruzar os Andes e ver aquela paisagem espetacular de perto. Acho que o fato de eu ter vontade de ficar tirando fotos a todo o momento (eu me controlei, e mesmo assim tirei mais de 200 fotos ao longo do percurso) resume um pouco o que eu senti. Tentei selecionar ao máximo algumas fotos para colocar aqui (de qualquer forma, acho que esse será o post com mais fotos incluídas!).

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Ao longo do caminho se encontra desde motociclistas até ciclistas. A estrada não é muito movimentada, e só de vez em quando cruzamos com algum carro ou caminhão.

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O única problema da viagem é a passagem pela fronteira. Nós ficamos cerca de quatro horas por lá até sermos liberados para entrar no Chile – segundo nos disseram, o pessoal que estava viajando de carro ficaria na fila até o anoitecer (há uma fila para carros e outra para ônibus – embora a estrada não estivesse muito movimentada, a fila de carros era bastante longa, talvez pelo fato de ser dia 30/12). Essa é uma das desvantagens de viajar de carro, aliada ao desconhecimento da estrada e à impossibilidade de se apreciar a paisagem enquanto se dirige. Além disso, li que é bastante complicado alugar um carro para atravessar a fronteira. O ponto positivo seria poder parar para olhar mais de perto e tirar fotos dos pontos mais bonitos.

Voltando à imigração: a Cata não permite que os passageiros desçam antes de ser liberada a entrada no “galpão” (sim, é tipo um galpão) onde fica o pessoal da imigração chilena e argentina. Não havia muitos ônibus na nossa frente, mas até todos os passageiros passarem pelos trâmites da imigração vai um tempo considerável.

É um pouco cansativo esperar dentro do ônibus. Pelo menos o visual era muito bonito – estávamos bem no meio da cordilheira dos Andes. Quando nos liberaram para descer, foi duro suportar o vento frio que soprava lá fora (e que contrastava com o calor que estava dentro do ônibus, pelo menos ali na parte em que sentamos, onde pega bastante sol). Entrando no galpão, tivemos de enfrentar duas filas: primeiro, a da imigração argentina, para registrar nossa saída do país; depois, a da imigração chilena, para registrar nossa entrada. Em seguida, voltamos para o ônibus que, na sequência, se dirigiu para dentro do galpão, onde tivemos de descer mais uma vez, passar nossas malas pelo raio-x e submeter nossa bagagem de mão à “vistoria” do cão farejador da polícia de imigração. É proibido ingressar no Chile com alimentos, em especial frutas e verduras (a cordilheira constitui uma barreira natural para pragas, então eles evitam a todo custo que turistas tragam esses males consigo), por isso a inspeção das bagagens é bastante rígida.

Depois de sermos liberados, seguimos viagem. Entrando no Chile, logo nos deparamos com a maior atração da viagem: “los caracoles”, uma sequência de curvas de cair o queixo! A habilidade com que os motoristas de ônibus e de caminhões contornam aquelas curvas é impressionante… Quando o ônibus chega na curva, a impressão que se tem é de que o motorista não vai vencê-la e de que vamos cair… mas ele vence, e logo em seguida surge outra! Emoção pura! Hehehe…

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Depois de cruzar “los caracoles”, a paisagem continua bonita, com a cordilheira sempre dominando o cenário. Um pouco antes de chegar a Viña, começam a surgir as propriedades cheias de parreirais, que muitas vezes são plantados montanha acima. É muito bonito! Não bastasse a beleza natural, ainda nos deparamos com essas “flores” artificiais “plantadas” no meio do caminho… super lindas!

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Como eu disse, o horário previsto para a chegada era 16h20, mas acabamos chegando em Viña um pouco depois das 18h. A viagem é cansativa, isso é fato; mas, apesar de todo o perrengue, eu faria de novo. A paisagem linda que se vê durante todo o caminho compensa qualquer coisa.

A passageira indica: Ruca Malen

A terceira e última vinícola que visitamos em Mendoza foi a bodega Ruca Malen. Situada em Luján de Cuyo, a bodega, cujo nome foi inspirado na lenda de uma jovem mapuche (povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina), ocupa uma bonita propriedade aos pés dos Andes e oferece vistas lindas.

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A bodega é relativamente nova, tendo elaborado seus primeiros vinhos em 1999. Além das visitas guiadas e da degustação, a Ruca Malen oferece almoços que são muito elogiados por aí (basta ver as críticas no Trip Advisor – das 421 opiniões, 313 qualificam a bodega como “excelente” – a maioria destaca o ótimo almoço). Não conseguimos reserva para almoçar, infelizmente (repito: tem de reservar com antecedência!), mas, pelos pratos que vi enquanto estive lá, o almoço parece ser mesmo muito bom! A bodega serve o almoço em dois ambientes diferentes: no prédio principal, em um salão não muito grande, e em outra construção que fica ao lado, toda envidraçada e colada nos parreirais. O almoço, composto de cinco pratos, é harmonizado com vinhos da bodega.

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Fizemos a visita guiada seguida de degustação. A guia era muito simpática; depois de contar a lenda da qual se originou o nome da bodega, ela nos mostrou as instalações da vinícola e falou um pouco sobre o processo de produção. Em seguida, fomos para a sala de degustação, da qual se tinha uma bela vista dos Andes e dos parreirais.

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Optamos pela degustação “standard”, que permite experimentar vinhos de três linhas diferentes: Yauquen, Ruca Malen e Kinien. A guia conduziu muito bem a degustação, explicando as características de cada vinho – que eram todos muito bons. Ao contrário da Clos de Chacras, a degustação oferecida pela Ruca Malen é muito bem servida, tanto que mal consegui terminar uma taça inteira.

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A vinícola também oferece uma degustação “premium”, na qual se pode provar seis vinhos das linhas Ruca Malen e Kinien. Além disso, a partir das 13h é possível degustar os vinhos acompanhados de queijos, fiambres e empanadas. De acordo com o site, as visitas podem ser em inglês, espanhol ou português (nossa guia falava espanhol, mas não foi muito problemático entendê-la – ao contrário dos porteños, os mendocinos não falam rápido demais). Não lembro exatamente quanto pagamos pela visita + degustação, mas não passou de R$ 50,00.

Seja pelos ótimos vinhos, seja pela bonita propriedade, vale a pena visitar a Ruca Malen.

A passageira indica: Clos de Chacras

A segunda bodega que visitamos durante nossa estadia em Mendoza foi a Clos de Chacras, situada em Chacras de Coria, um povoado a 12 km da cidade. Ao contrário da Zuccardi, a Clos de Chacras é uma bodega pequena, o que se revela não apenas no aspecto físico como, também, no número limitado de rótulos.

Fizemos reserva para o passeio guiado e para almoçar no restaurante da vinícola. A guia que nos recebeu era muito simpática e explicou com detalhes a história da bodega, que é bastante interessante – a vinícola, depois de ser vendida pelo proprietário original, foi abandonada; anos depois, a neta do antigo dono conseguiu comprá-la e restaurá-la, mantendo o quanto possível suas características originais.

Depois de nos mostrar o vinhedo da propriedade e falar sobre o sistema de irrigação (a água, em Mendoza, é fracionada; cada propriedade recebe uma determinada quantia e deve administrá-la – na Chacras de Coria, a água é armazenada em um “lago” e a irrigação dos parreirais é feita pelo sistema de gotejamento, mais econômico em relação ao sistema de inundação), a guia nos mostrou os tanques onde ocorre parte da elaboração dos vinhos. Os tanques da bodega original também foram preservados: são tanques de concreto, muito diferentes dos tanques de aço inoxidável que se vê em outras vinícolas. Na verdade, o que se preservou foi a estrutura dos tanques originais, já que por dentro eles foram adequados e, além disso, receberam itens de aço inox como portas e bocas. Em seguida, fomos à sala onde ficam as barricas de carvalho, a maioria de roblé francês.

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Depois de fazer a visita guiada, partimos para o restaurante da vinícola. Logo em frente ao prédio principal, onde fica o restaurante, há um bonito deck com mesas e guarda-sóis.

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A foto abaixo mostra o ambiente principal do restaurante.

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A mesa que estava reservada para nós ficava em um ambiente menor, que era simpático, mas bastante quente – nada de ar condicionado!

Como iríamos almoçar, tínhamos a opção de escolher um dos tipos de degustação oferecidos ou pedir uma taça ou uma garrafa de vinho. Eu gosto da ideia de provar vários tipos de vinho de uma mesma bodega, então escolhi a degustação premium, que custava cerca de R$ 25/30 (não lembro o valor exato, mas era nessa faixa – os outros dois tipos de degustação não eram significativamente mais baratos) e incluía um vinho da linha “Cavas de Crianza” (os mais simples), um vinho da linha Eredità (intermediária) e o blend da linha Gran Estirpe (o vinho emblemático da casa). Os vinhos eram bons (pro meu gosto – como já disse, não entendo nada sobre o assunto), mas a quantidade que foi servida era muito pequena – as taças eram daquelas próprias para vinho de sobremesa e a quantidade não ultrapassava dois dedos. Meu namorado fez uma escolha mais inteligente: optou por pedir apenas uma taça do blend da linha Gran Estirpe (60% malbec, 20% cabernet sauvignon, 20% merlot), que, além de custar menos do que a minha degustação, rendeu bem mais vinho (não sei se a quantidade das três tacinhas que me foram servidas alcança a quantidade de vinho que ele tomou naquela única taça). Então, fica a dica: melhor pedir uma taça de vinho do que escolher qualquer um dos tipos de degustação oferecidos.

Quanto ao almoço: escolhemos a opção a la carte, mas eles também oferecem menu degustação harmonizado. O couvert era composto de pães, patê e uma espécie de chutney de tomate, que estava delicioso. Pedimos uma salada para começar – melhor impossível!

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Como prato principal, escolhi canelones de salmão. Estava bom, mas nada demais (tenho que fazer um mea culpa e confessar que na verdade eu não sou muito fã de salmão – pedi o prato porque na hora de ler o cardápio apeteceu, hehe).

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Meu namorado novamente levou a melhor: ele pediu um ojo de bife acompanhado de vegetais que, além de bom, era muito bonito.

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Os pratos não eram caros – nada que destoe da média dos restaurantes que oferecem a mesma proposta. Acho que minha conta, incluindo a degustação, metade da salada e o prato principal, saiu cerca de R$ 80,00. A visita guiada não nos foi cobrada.

Resumindo: eu recomendo a Chacras de Coria pela história interessante, pelo fato de preservar as características da vinícola original (os tanques de concreto são uma atração à parte) e, também, pelo bom restaurante e pelos bons vinhos.

A passageira indica: Familia Zuccardi

Como já contei em outro post, nossa viagem pelo Chile sofreu uma pequena interrupção e fomos parar em Mendoza. Tínhamos dois dias cheios para aproveitar as vinícolas da região e uma escolha complicada: quais visitar?

Conheci a bodega da Familia Zuccardi assistindo ao programa Masterchef, na Band (recomendo!!) – em um episódio, eles foram até Mendoza e o local da prova do dia era justamente a propriedade da Familia Zuccardi. Embora se trate de uma grande vinícola, não lembro de ter ouvido a respeito antes. Quando chegou a nossa hora de escolher quais vinícolas conhecer, acessei o site da Zuccardi e descobri que eles oferecem uma infinidade de programas para os visitantes – desde cursos de degustação até picnics nos jardins. O programa que mais me interessou: o Vení a cocinar, que envolvia aula de culinária, almoço, visita à bodega e degustação, ocupando praticamente o dia todo, das 10h30 às 16h30.

A propriedade possui dois restaurantes, o Casa del Visitante e o Pan & Oliva, e ambos oferecem o programa. Aí já surgiu outra dúvida: qual escolher? Já que a proposta dos dois restaurantes é diferente – e, de consequência, também é diferente a proposta da aula de culinária oferecida por cada um -, foram horas e horas de pesquisa pra descobrir qual o melhor e de troca de ideias. O Casa del Visitante oferece um ambiente em estilo rústico/refinado (existe isso? hehe) e trabalha tanto com menus degustação, com 9 ou 12 passos, como com carnes a la parrilla – ou seja, churrasco argentino; Pan & Oliva, por seu turno, tem um ambiente um pouco mais simples, numa mistura de mercearia com restaurante, e oferece massas e saladas. A aula de culinária do primeiro é destinada a ensinar como fazer pães e empanadas; a do segundo, a ensinar a fazer pizzas e tapas. Como sempre, nosso principal guia foi o Trip Advisor: seguindo as avaliações de quem já passou por lá, escolhemos o Casa del Visitante (que, apesar de alguma hesitação, sempre foi minha opção – pelas fotos, me agradou mais). Mas, ao tentar marcar a visita, descobrimos que toda a discussão sobre qual escolher foi em vão: não havia vagas para o programa na Casa del Visitante. Assim, não nos restou alternativa senão o Pan & Oliva.

Nosso motorista, o Alejandro, nos buscou às 9h45 e, meia hora depois, estávamos na Zuccardi. Fomos direto ao Pan & Oliva.

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Chegando lá, a movimentação não indicava que logo haveria uma aula de culinária. Falamos com a recepcionista e ela pediu para aguardarmos um pouco; logo em seguida, voltou com a informação de que a aula seria realizada no Casa del Visitante – era bem o que queríamos! O Alejandro estava nos esperando ali pela frente e nos levou até o Casa del Visitante, que fica a uma distância que, sob um sol de 35 graus, não pode ser considerada desprezível. A moça que nos recebeu disse que haviam enviado um email informando que havia ocorrido uma desistência e que seria possível realizar o programa no Casa del Visitante – mas, como eu estava em férias, até esqueci de checar email.

O ambiente do Casa del Visitante é mais bonito. Em frente ficam as videiras e há um bonito jardim. A casa é toda envidraçada e cercada de árvores e plantas.

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Fomos recebidos nessa sala, onde esperamos alguns minutos até a aula de culinária começar. Embora no site houvesse a informação de que o programa inclui café da manhã, o máximo que nos ofereceram foi suco de laranja ou café – de qualquer modo, havíamos tomado café da manhã no hotel, então não fez falta.

A aula ocorre na própria cozinha do restaurante – ou seja, enquanto a gente se diverte fingindo que cozinha, tem gente cozinhando de verdade! A responsável pela “padaria” do restaurante, uma senhora muito simpática, é quem ministra a aula. A primeira lição foi como fazer pão; a segunda, como fazer empanadas em três sabores diferentes (cebola, carne e queijos); a terceira, como fazer os pastelitos mendocinos, pastéis típicos da região feitos com o que sobra da massa das empanadas, recheados com geleia de membrillo (tentei muito descobrir qual o nome dessa fruta em português, mas aparentemente não a temos por aqui) e fritos. É claro que não é “A” aula de culinária, até porque os “pratos” são bem simples, mas foi muito divertida e quase uma terapia – sobretudo depois que o guia de um casal de americanos sugeriu que nos servissem um vinho torrontés maravilhoso (não sei por que raios não comprei no mínimo um pra trazer pra casa – torrontés é uma uva desenvolvida na Argentina e que produz excelentes vinhos brancos). A foto abaixo foi tirada pela minha cunhada quando a nossa “prof” colocava nossas empanadas para assar no forno de barro enquanto apreciávamos um bom vinho! =)

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Depois de prontas, pudemos provar as empanadas na sala da foto acima (com mais vinho presente, é claro) – e essa foi nossa entrada para o almoço.

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Quando todo mundo já está servido de empanadas, os “alunos” são encaminhados para suas respectivas mesas no restaurante. Ficamos em uma parte super bonita, toda envidraçada.

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Pra começar (ou melhor, continuar), chegam, em primeiro lugar, os indefectíveis pãezinhos, acompanhados dos três tipos de azeite de oliva produzidos pela Zuccardi – frantoio, arauco e changlot, sendo o primeiro o mais fraco e o último o mais intenso. Os azeites de oliva são muito bons – aliás, para fazer o pão podíamos utilizar qualquer uma dessas três variedades.

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Antes que eu esqueça: pra quem escolhe o menu regional (ou seja, a parrillada) e não faz a aula de culinária, também são servidas empanadas como entrada.

Logo depois, chegam os pratos de saladas (alface, tomate, cenoura) e os vegetais grelhados (abobrinha, berinjela, cebola…); em seguida, as carnes se apresentam – uma melhor que a outra! A gula não permitiu que eu abandonasse os talheres pra tirar fotos, mas acreditem: as carnes eram muito boas…

Nem preciso dizer que, durante o almoço todo, são servidos os mais diversos tipos de vinhos, tudo à vontade (assim como a água). E, quando chega a sobremesa, o vinho de sobremesa vem junto. Vale a pena ir com sede! =)

Depois de toda essa orgia gastronômica e etílica, nada melhor do que um café ou um chá com biscoitinhos…

DSC_0511A essa altura ninguém mais quer saber da visita, mas, como estava incluída, lá fomos nós. Por sorte, foi bem rápida – pra quem faz a primeira visita a uma vinícola, talvez seja rápida e superficial demais. Uns quinze minutos depois, já estávamos na sala de degustação, que incluía apenas dois vinhos (ou três? Nem lembro, minha cota de vinho já estava estourada). Por um valor a mais é possível incluir um espumante ou algum outro vinho mais top – vale lembrar que a Zuccardi engarrafa rótulos como Santa Julia e há linhas específicas como a Tardío e a Malamado.

Toda essa brincadeira custou R$ 250, aproximadamente. É caro? Bom, não é dos passeios mais baratos, mas, por tudo o que oferece – a aula divertida, o ótimo almoço com vinhos ilimitados, a visita à bodega com degustação inclusa -, compensa. Como dura o dia todo, visitar outras vinícolas no mesmo dia é inviável (inclusive fisicamente).

Pra quem não tem interesse na aula de culinária, os restaurantes também servem almoço; não deixe de reservar com antecedência, principalmente se o foco for ir à Casa del Visitante. Basta entrar no site: http://www.casadelvisitante.com.

Ah, e quem faz a aula de culinária já garante o café da manhã do dia seguinte: cada um leva o pão que confeccionou, assim como as empanadas que sobraram e os pastéis de membrillo!

P.s.: esqueci de comentar sobre os vinhos que nos serviram no almoço! Não apenas o torrontés era bom como os outros também; o vinho de sobremesa me impressionou (era docinho, mas não enjoativo). Só não gostei de um cabernet sauvignon (não lembro o rótulo) – mas, como eu não entendo nada de vinhos, sugiro que você vá e experimente todos!

Saltos do Petrohué e lago Todos los Santos

Esqueci de contar sobre dois outros lugares imperdíveis no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales – os saltos do rio Petrohué e o lago Todos los Santos. Como já expliquei em outro post, alugamos um carro em Puerto Varas e, em um mesmo dia, fomos aos saltos do Petrohué, ao lago Todos los Santos e ao vulcão Osorno; a vantagem de começar pelos dois primeiros é que sobra mais tempo para aproveitar o vulcão (a principal atração do parque).

A estrada, como também já falei, é bem sinalizada e muito boa. A primeira parada são os saltos do rio Petrohué. Há estacionamento grátis no local, e para chegar aos saltos é preciso, primeiro, passar por um prédio muito bonito, com um projeto moderno, no qual há duas ou três lojinhas, uma cafeteria e uma espécie de agência de turismo que oferece atividades como rafting e passeios de barco. Deixando o prédio e cruzando uma pequena ponte, há a entrada propriamente dita: o valor do ingresso, por pessoa, é de CLP 1500 (o equivalente a R$ 7,50). Logo depois, à direita, há banheiros (grátis); para quem segue reto, em seguida há a indicação de dois “senderos” – ou seja, de duas trilhas: começamos pela trilha da esquerda e nos deparamos com as águas de cor verde-esmeralda dos saltos do rio Petrohué.

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As fotos não fazem jus à beleza desse lugar. A cor da água é lindíssima!

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Os saltos do rio Petrohué resultam do desague do lago Todos los Santos e correm sobre uma base de lava basáltica proveniente do vulcão Osorno, que pode ser visto a partir dali.

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Há passarelas que permitem ao visitante ver os saltos a partir de diferentes ângulos.

Como fazia sol nesse dia e estava até um pouco quente, tivemos o “prazer” de conhecer os tábanos, mosquitos gigantes que habitam a região entre o final de dezembro e o final de janeiro. Felizmente, avistamos apenas alguns e confirmamos algumas informações que tínhamos obtido previamente: eles adoram a cor preta e ficam próximos a rios e lagos. Pra quem for visitar a região nessa época e quiser saber mais sobre essa “praga”, recomendo ler o relato postado no blog Nerds Viajantes: http://www.nerdsviajantes.com/2013/01/06/verao-no-chile-cuidado-com-os-tabanos/.

Indo pelo sendero que leva ao sentido contrário, a paisagem é dominada pela mata; o rio prossegue, mas a parte mais bonita fica mesmo no lado oposto, onde há as quedas d’água. O melhor, então, é pegar, em primeiro lugar, a trilha da direita, que é a mais sem graça, pra deixar o que importa para o final.

Saindo dessa porção do parque e seguindo pelo mesmo caminho, chega-se ao lago Todos los Santos. O rio segue seu curso ao longo do caminho, que é muito bonito; é preciso enfrentar um trecho de estrada de chão que, apesar disso, se encontra em bom estado. Chegando ao lago, à esquerda, bem ao fundo, há um estacionamento grátis. Não se paga nada para visitar o lago.

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O lago é azulado e a paisagem é muito bonita. É possível passear de barco pelo lago e ir até a Isla Margarita. Como estávamos com fome, já não era tão cedo e queríamos deixar bastante tempo disponível para o Osorno, não fizemos o passeio – ou seja, temos no mínimo um motivo pra voltar!

A passageira indica: Mendoza

Nossa viagem pelo Chile no final de 2014 fez um pequeno desvio: fomos parar em Mendoza. Aproveitar para conhecer Mendoza quando se está em Santiago é uma escolha bastante lógica, já que ambas são separadas, basicamente, pela Cordilheira dos Andes. O voo de Santiago a Mendoza dura cerca de 40 minutos; de Buenos Aires a Mendoza, quase duas horas, o que faz com que seja muito mais vantajoso fazer o primeiro trajeto – vantagem que é reforçada pela beleza que se vê ao cruzar os Andes.

Se o voo entre as duas cidades oferece belas paisagens, a viagem de ônibus não fica devendo em nada. É claro que o tempo de viagem é bem mais longo – o percurso dura cerca de seis horas, podendo ser maior em função dos trâmites na fronteira -, mas a beleza das montanhas, da estrada, enfim, da paisagem como um todo, faz o perrengue valer a pena. Como voltaríamos ao Chile depois de visitar Mendoza, decidimos fazer o trecho de ida de avião e o trecho de volta de ônibus. Quando pesquisamos o preço das passagens de avião, o valor do trecho de ida para a data que queríamos era mais caro do que o valor do bilhete de ida e volta (com a volta em um dia qualquer no mês seguinte). Assim, compramos um bilhete de ida e volta Santiago-Mendoza, pelo qual pagamos R$ 300,00, mas ocupamos apenas a ida; para a volta, compramos  passagem de ônibus no site da CATA Internacional. Sobre a volta, conto mais em outro post.

Mendoza é um semi-deserto; chove, em um ano, cerca de 250 milímetros. E, ainda assim, é uma das cidades mais arborizadas que já visitei.

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Por conta da baixa quantidade de chuva anual, a água é um problema em Mendoza; no entanto, esse problema é bem administrado graças a um sistema criado pelos primeiros habitantes da região. Os Huarpes criaram o sistema de “acéquias”, canais que conduzem a água proveniente do degelo dos Andes. As acéquias estão por todos os lados em Mendoza: são valas que ficam entre a calçada e a rua. Para o turista desavisado, pode ser um perigo…

Os vinhos são, em geral, o foco de quem visita Mendoza. Mas Mendoza é muito mais do que isso: a partir dali, é possível visitar o Aconcágua – o ponto mais alto das Américas -, visitar estâncias e, além disso, aproveitar uma cidade bonita e vibrante. Nosso objetivo era visitar algumas vinícolas e, à noite, curtir a cidade.

Diante desse objetivo, resolvemos nos hospedar próximo à rua Aristides Villanueva, onde se concentra a maioria dos bares e restaurantes da cidade. Escolhemos o Quinta e Suites Apart Hotel, a meia quadra dessa rua; ficamos em um apartamento com quarto, sala (na qual havia duas camas de solteiro que também faziam as vezes de sofá) e uma mini cozinha. O apartamento era bom, bastante espaçoso – em especial o quarto -, e a diária incluía café da manhã, que era servido no próprio apartamento e, embora fosse um pouco fraquinho (croissant, folhado salgado, manteiga, geleia, suco de laranja, café, leite e chá), cumpria a sua função. O apart hotel tem uma piscina que sequer chegamos a visitar, apesar o calor que fazia em Mendoza – a temperatura máxima ficou em torno dos 35 graus nos dias em que passamos lá.

Recomendo muito a área: além dos estabelecimentos que ficam na rua Aristides Villanueva, há, tanto na rua Belgrano como na Sarmiento – que também são próximas -, bons restaurantes, inclusive os bem avaliados Azafran e Maria Antonieta. O Parque San Martin também fica nos arredores; não tivemos a oportunidade de visitá-lo (muito vinho, pouco tempo), mas dizem que é muito bonito. A parte mais central da cidade – a Plaza Independencia (onde fica a “fonte de vinho” da foto acima) e o Paseo Sarmiento – fica um pouco mais distante, a cerca de 20 ou 30 minutos de caminhada. No Paseo Sarmiento também há bares e cafés simpáticos, mas que não se comparam àqueles da Aristides; visitamos tantos que acabei nem guardando os nomes. A Cerveceria Antares me marcou pelo ambiente animado – e lotado! – e pelas muitas opções de cervejas produzidas pela casa – que eu, na verdade, não experimentei (haja fígado depois de tanto vinho), mas os meus “colegas” de viagem aprovaram.

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Pra quem quer visitar vinícolas, as melhores alternativas são contratar um remis ou agendar os passeios em uma agência de turismo. Não vale a pena alugar carro: além de bebida e direção não formarem uma boa dupla, os preços são altos e as estradas não são bem sinalizadas. Contratar um remis – ou seja, um motorista – também não é barato, mas é a opção mais cômoda, que permite que se escolha quais e quantas vinícolas visitar em um dia. Aparentemente os remises, em geral, cuidam das reservas nas vinícolas, mas, como já tínhamos tudo pronto, não sabemos exatamente como funciona. Contratamos o serviço por dois dias, pagando $2.000 pesos argentinos no total – ou seja, cerca de R$ 500,00. Como eu disse, não foi barato, mas valeu a pena: eles nos levavam às vinícolas e ficavam a nossa espera. No primeiro dia, nosso motorista foi o Alejandro, que nos “carregou” em um Astra; no segundo, o Dario, que dirigia um Corolla novinho. Gostamos muito dos dois: enquanto o Alejandro é bem quieto e discreto, o Dario é mais falante (nos contou várias curiosidades sobre a cidade) e muito simpático – ao final da primeira visita lá estava ele no carro, com uma garrafa de água geladinha pra cada um de nós! Ao final do post vou deixar o contato de ambos.

Não dá pra ir a Mendoza sem fazer as reservas das visitas previamente. Deixamos para reservar um pouco em cima da hora e não conseguimos horário em algumas vinícolas que queríamos conhecer. Quando se vai planejar as visitas, é preciso considerar que as regiões vinícolas – Maipu, Lujan de Cuyo e Valle de Uco – são um pouco distantes entre si. Maipu fica a cerca de 15 km da cidade de Mendoza, e Lujan de Cuyo a 20 km; já o Valle de Uco fica a 70 km. Por essas regiões, estão espalhadas cerca de 1500 vinícolas de tamanhos variados; não é tão fácil escolher quais visitar – mas o certo é que conhecer mais de 3 em um dia é uma loucura! Um bom site para pesquisar sobre algumas das vinícolas e suas características é o http://www.experiencemendoza.com; a página aponta aquelas que são as favoritas dos editores, além de dar outras dicas legais sobre a cidade e as atrações da região. Vou falar sobre cada uma das vinícolas que visitamos em posts específicos.

Com esse número enorme de vinícolas, uma visita a Mendoza não basta. Dizem que a região fica muito linda no inverno; ótima desculpa pra voltar pelo menos uma vez mais.

CONTATO DOS REMISES – Alejandro: + 54 9 261 659 5315; Dario: +54 9 261 500 8936

Visita ao vulcão Osorno

Como escrevi nos posts anteriores, o vulcão Osorno domina a paisagem das cidades situadas à beira do Lago Llanquihue. O Osorno, que tem 2.652 metros, faz parte do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales; desde Puerto Varas, é possível alcançá-lo depois de percorrer cerca de 60 km. Para aqueles que não se contentam em avistá-lo de longe, é possível visitá-lo e, inclusive, subir até a base do seu cume nevado – sem qualquer preocupação, já que a última erupção foi registrada em 1869.

Fomos até o “Centro de Ski y Montaña Volcán Osorno” com o carro que alugamos em Puerto Varas (cerca de R$ 150 a diária). O Parque Nacional Vicente Pérez Rosales é composto por várias atrações que não ficam dentro de um perímetro determinado e cercado, como eu imaginava, mas que estão espalhadas por uma mesma região. Além do vulcão Osorno, fazem parte do parque, entre outras atrações, os saltos do rio Petrohué e o lago Todos los Santos (falarei sobre ambos em um post específico); como esses pontos ficam próximos, o negócio é visitar todos no mesmo dia – as agências de turismo oferecem um passeio que abrange os três. Optamos por começar pelos saltos do Petrohué, seguido pelo lago e, por fim, pela visita ao vulcão; recomendo esse itinerário, porque assim a visita ao vulcão – a principal atração, a meu ver – fica por último e é possível aproveitar melhor.

A estrada que leva até o vulcão é bastante sinuosa e muito bonita, rodeada por flores em boa parte do caminho. O fato de o vulcão ficar mais perto a cada quilômetro percorrido torna tudo ainda mais lindo. A volta é tão bonita quanto, já que é possível ver toda a cadeia montanhosa ao redor e os lagos da região. No caminho, há um ou dois paradouros.

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Chegando lá em cima, há um estacionamento (grátis – e do qual já se tem uma bela vista dos lagos, das montanhas e do vulcão Cabulco) e uma estrutura que contempla restaurante e cafeteria, banheiros e teleférico (as telesillas).

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As telesillas são nada mais, nada menos, do simples “bancos”; a proteção se limita a uma barra de ferro…

DSC_0370 O bilhete de ida e volta via telesillas custou cerca de R$ 70,00. Há a opção de subir de teleférico e descer de mountain bike por um preço semelhante. É possível, ainda, “voar” de tirolesa; além disso, há pistas de ski e snowboard. Não procurei obter informações sobre essas atividades porque não tinha interesse em nenhuma delas, mas acredito que no site há algo a respeito (www.volcanosorno.com).

Para chegar à base do topo nevado do vulcão, é preciso fazer uma “baldeação”: a primeira parada é na “Estação Primavera”, a 1420 metros de altura; ali, outra telesilla te leva até a “Estação Glaciar”, a 1760 metros. O caminho é um pouco assustador: embora a distância até o solo não seja considerável, o fato de se estar suspenso em uma cadeirinha dessas, presa apenas a um cabo de aço, com um vento forte dificultando a subida, dá um certo medo. Sem contar o frio: o vento é muuuito gelado – aconselho fortemente levar luvas e uma manta bem quentinha.

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Mas chegar à base nevada do cume do vulcão compensa qualquer sensação ruim. A vista lá de cima é linda: dá pra ver os lagos, a cadeia montanhosa que rodeia a região, os outros vulcões – o Cabulco fica logo à frente… além disso, estar “no” vulcão depois de tanto vê-lo de longe é emocionante.

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Há quem se arrisque a subir a pé – haja fôlego!

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A descida é tão ou mais bonita do que a subida!

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No caminho de volta a Puerto Varas, é possível parar para visitar a Laguna Verde – um “braço” do Lago Llanquihue que também é um ponto turístico da região, mas cuja beleza, sinceramente, não me impressionou tanto. Dizem que o tom de verde da água da laguna é o resultado das algas que nela habitam. O ponto de entrada para a laguna está bem sinalizado; há uma boa estrutura no local, com passarelas e bancos à beira da água. A entrada é gratuita.

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As fotos não conseguem mostrar toda a grandiosidade e a beleza que se vê na visita ao vulcão Osorno. Tenho certeza de que ainda vou me espantar – e muito – com outras maravilhas da natureza, mas jamais esquecerei a sensação que experimentei ao subir no Osorno e concluir que eu não sou apenas uma “turista urbana”.

A passageira indica: Frutillar

Quando visitamos a região dos lagos andinos, no Chile, decidimos contratar passeios em agências de turismo para conhecer os pontos de interesse. No entanto, já no primeiro dia levamos um “bolo” da agência que havíamos contratado – já havia passado do horário combinado quando a recepcionista do hotel nos avisou que haviam ligado comunicando o cancelamento do passeio. Em função do adiantado da hora, não nos restou opção senão alugar um carro – foi a melhor coisa que fizemos, pois acabamos explorando a região a nosso modo.

Como achamos que não seria possível ir até o vulcão e a todas as demais atrações do Parque Vicente Pérez Rosales ainda naquele dia, decidimos almoçar na nossa base, Puerto Varas, e, à tarde, visitar algumas cidades vizinhas. A primeira parada foi Puerto Octay, uma cidade bem pequenina. Fomos até lá por indicação do guia Lonely Planet. Sinceramente, acho que a cidade nem deveria constar do guia, pois é muito, muito pequena, e não tem nenhum atrativo considerável, a não ser as casas de madeira em estilo alemão. Apesar de estar situada à beira do lago, não há, como em Puerto Varas, uma “beira lago”; não encontramos uma saída para o lago – no máximo, conseguimos estacionar em um canto a partir do qual era possível ver o lago e o  vulcão Osorno. O caminho até lá, sim, era bastante bonito, com o vulcão dominando a paisagem.

A parada seguinte foi Frutillar, que, assim como Puerto Varas e Puerto Octay, também fica à beira do Lago Llanquihue e é marcada pela colonização germânica, refletida na arquitetura e no destaque para as kuchens (uma espécie de bolo – pra quem é do sul, aviso que não tem muito a ver com as nossas “cucas”, que, aliás, são bem mais gostosas).

Já na chegada à cidade, indo em direção ao lago, é possível avistar o onipresente vulcão Osorno.

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A área que fica à beira do lago é muito bonita; há um passeio, bancos para descansar, um pier e uma faixa de “areia” (que não é bem areia) para aqueles corajosos que fazem do lago a sua praia.

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Do outro lado da rua, é possível encontrar, nas vias laterais, restaurantes e cafés.

A cidade é bem pequena, e a área de interesse turístico, aparentemente, circunscreve-se aos arredores do lago. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, Frutillar sedia um festival de música clássica; outra atração cultural é o Museu Colonial Alemão, que não visitamos.

Para quem não aluga carro, há agências que fazem passeios até Frutillar; além disso, no centro de Puerto Varas passam, seguidamente, ônibus com destino à cidade. Vale a pena destinar um par de horas a Frutillar para apreciar o lago e o vulcão Osorno a partir de outro ângulo.