A passageira indica: Clos de Chacras

A segunda bodega que visitamos durante nossa estadia em Mendoza foi a Clos de Chacras, situada em Chacras de Coria, um povoado a 12 km da cidade. Ao contrário da Zuccardi, a Clos de Chacras é uma bodega pequena, o que se revela não apenas no aspecto físico como, também, no número limitado de rótulos.

Fizemos reserva para o passeio guiado e para almoçar no restaurante da vinícola. A guia que nos recebeu era muito simpática e explicou com detalhes a história da bodega, que é bastante interessante – a vinícola, depois de ser vendida pelo proprietário original, foi abandonada; anos depois, a neta do antigo dono conseguiu comprá-la e restaurá-la, mantendo o quanto possível suas características originais.

Depois de nos mostrar o vinhedo da propriedade e falar sobre o sistema de irrigação (a água, em Mendoza, é fracionada; cada propriedade recebe uma determinada quantia e deve administrá-la – na Chacras de Coria, a água é armazenada em um “lago” e a irrigação dos parreirais é feita pelo sistema de gotejamento, mais econômico em relação ao sistema de inundação), a guia nos mostrou os tanques onde ocorre parte da elaboração dos vinhos. Os tanques da bodega original também foram preservados: são tanques de concreto, muito diferentes dos tanques de aço inoxidável que se vê em outras vinícolas. Na verdade, o que se preservou foi a estrutura dos tanques originais, já que por dentro eles foram adequados e, além disso, receberam itens de aço inox como portas e bocas. Em seguida, fomos à sala onde ficam as barricas de carvalho, a maioria de roblé francês.

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Depois de fazer a visita guiada, partimos para o restaurante da vinícola. Logo em frente ao prédio principal, onde fica o restaurante, há um bonito deck com mesas e guarda-sóis.

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A foto abaixo mostra o ambiente principal do restaurante.

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A mesa que estava reservada para nós ficava em um ambiente menor, que era simpático, mas bastante quente – nada de ar condicionado!

Como iríamos almoçar, tínhamos a opção de escolher um dos tipos de degustação oferecidos ou pedir uma taça ou uma garrafa de vinho. Eu gosto da ideia de provar vários tipos de vinho de uma mesma bodega, então escolhi a degustação premium, que custava cerca de R$ 25/30 (não lembro o valor exato, mas era nessa faixa – os outros dois tipos de degustação não eram significativamente mais baratos) e incluía um vinho da linha “Cavas de Crianza” (os mais simples), um vinho da linha Eredità (intermediária) e o blend da linha Gran Estirpe (o vinho emblemático da casa). Os vinhos eram bons (pro meu gosto – como já disse, não entendo nada sobre o assunto), mas a quantidade que foi servida era muito pequena – as taças eram daquelas próprias para vinho de sobremesa e a quantidade não ultrapassava dois dedos. Meu namorado fez uma escolha mais inteligente: optou por pedir apenas uma taça do blend da linha Gran Estirpe (60% malbec, 20% cabernet sauvignon, 20% merlot), que, além de custar menos do que a minha degustação, rendeu bem mais vinho (não sei se a quantidade das três tacinhas que me foram servidas alcança a quantidade de vinho que ele tomou naquela única taça). Então, fica a dica: melhor pedir uma taça de vinho do que escolher qualquer um dos tipos de degustação oferecidos.

Quanto ao almoço: escolhemos a opção a la carte, mas eles também oferecem menu degustação harmonizado. O couvert era composto de pães, patê e uma espécie de chutney de tomate, que estava delicioso. Pedimos uma salada para começar – melhor impossível!

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Como prato principal, escolhi canelones de salmão. Estava bom, mas nada demais (tenho que fazer um mea culpa e confessar que na verdade eu não sou muito fã de salmão – pedi o prato porque na hora de ler o cardápio apeteceu, hehe).

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Meu namorado novamente levou a melhor: ele pediu um ojo de bife acompanhado de vegetais que, além de bom, era muito bonito.

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Os pratos não eram caros – nada que destoe da média dos restaurantes que oferecem a mesma proposta. Acho que minha conta, incluindo a degustação, metade da salada e o prato principal, saiu cerca de R$ 80,00. A visita guiada não nos foi cobrada.

Resumindo: eu recomendo a Chacras de Coria pela história interessante, pelo fato de preservar as características da vinícola original (os tanques de concreto são uma atração à parte) e, também, pelo bom restaurante e pelos bons vinhos.

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