Santiago do Chile

Em janeiro vai completar um ano que estive em Santiago do Chile e, pra minha vergonha, eu ainda não escrevi nada sobre esse destino que me cativou por diversas razões. Agora, depois desse tempo todo, surgiu um motivo especial pra escrever a respeito da cidade: uma amiga querida está indo pra lá e eu faço questão de deixar aqui minha impressão e minhas dicas sobre Santiago.

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Reservamos, pelo Booking.com, um simpático apartamento no Lastarria Santiago Suite, uma espécie de apart-hotel que fica a meia quadra da rua que leva o mesmo nome, onde há diversos bares e restaurantes. O Cerro Santa Lucia também fica bem pertinho, assim como diversos outros pontos de interesse, como o Parque Forestal e o Museu de Bellas Artes. O bairro Bellavista e o Cerro San Cristobal também não ficam longe – a caminhada é um pouco mais longa, mas é plenamente possível ir a pé.

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A passageira indica: Restaurante Casa Valdés

Voltando ao Chile: tenho de reparar uma omissão imperdoável – esqueci de falar de um dos melhores restaurantes de frutos do mar a que já fui, o Casa Valdés.

O Casa Valdés fica em Puerto Varas, bem pertinho do hotel em que nos hospedamos, o Cabanas del Lago. No último dia na cidade, resolvemos almoçar lá, já que havíamos lido ótimas avaliações no Trip Advisor. O restaurante fica bem em frente ao lago e praticamente todas as mesas oferecem uma linda vista.

Já na entrada, é possível avistar um tanque em que eles mantêm alguns dos frutos do mar que utilizam nos pratos, o que garante que o produto é o mais fresco possível. O interior do restaurante, que fica em uma construção de madeira, é muito agradável.

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De couvert, foram servidos os sempre presentes pãezinhos (quentinhos, aparentemente feitos na hora) acompanhados de manteiga. O cardápio conta, basicamente, com pratos compostos por frutos do mar. Foi bem difícil escolher, já que a descrição de todos era de dar água na boca, mas acabei optando por um ensopado de frutos do mar – melhor escolha impossível! O ensopado era muito saboroso e tinha uma fartura impressionante de frutos do mar…

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Meu namorado escolheu peixe grelhado com legumes salteados – não lembro que peixe era, só sei que foi indicação do garçom, que afirmou que o peixe havia chegado naquela manhã no restaurante (o garçom que nos atendeu, aliás, era muito atencioso). O prato, segundo ele, estava sensacional: peixe no ponto e tudo super saboroso.

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A carta de vinhos era bem grandinha. Eu pedi uma taça de vinho branco (não lembro qual – nem o nome, nem a uva), que custou R$ 15,00. O meu prato, por outro lado, custou cerca de R$ 50,00, preço super justo tendo em conta a qualidade do ensopado, sem dúvida o melhor que já provei. Em resumo: ótima relação custo-benefício para uma refeição maravilhosa.

O quê? Restaurante Casa Valdés Onde? Santa Rosa 040 – Puerto Varas

De Mendoza a Viña del Mar de ônibus

Como já falei em um post anterior, quem está em Santiago pode ir a Mendoza (ou vice-versa) de duas formas: de avião ou de ônibus. A viagem de avião tem uma vantagem imbatível: dura cerca de 30 minutos – ou seja, pra quem tem o roteiro apertado, é a escolha ideal. Mas a viagem de ônibus, embora seja beeeem mais demorada, vale como um passeio por si só.

Como também já falei, nós optamos por ir a Mendoza de avião e voltar até o Chile de ônibus. Nosso destino no Chile era Viña del Mar, a cerca de 400km de Mendoza. Cerca de 15 dias antes da data da viagem, acessamos os sites de duas empresas que fazem a rota para pesquisar preços e horários: a Andesmar e a Cata Internacional. Optamos por comprar na Cata. O site não é nada complicado; foi bem fácil comprar e realizar o pagamento com cartão de crédito. As passagens são emitidas na hora – não se trata de um voucher, então não é necessário fazer qualquer procedimento para retirada de passagens no dia. Pagamos em torno de R$ 150,00 por pessoa. O ônibus deveria partir de Mendoza às 9h30 e chegar em Viña às 16h20 – não sei se esse horário é diário; melhor checar no site da empresa.

No dia da viagem, chegamos no terminal de Mendoza e fomos até o escritório da Cata para perguntar de qual box o ônibus partiria. Em seguida, nos dirigimos ao box e esperamos por alguns minutos até o ônibus estacionar. Os caras que colocam as malas no porão do ônibus pedem “propina”, então vá preparado com algumas moedinhas (eles aceitam qualquer coisa, inclusive reais). O ônibus tem dois andares; no andar inferior, ficam os passageiros que optam pelo “serviço cama executivo”; no andar superior, ficam aqueles que escolhem o serviço “semi cama”. Optamos por comprar as duas primeiras poltronas do andar superior, de onde se tem uma visão panorâmica do caminho. Aconselho fortemente escolher essas poltronas, pois a vista que se tem é imperdível; acredito que quem viaja nas demais poltronas não consegue ver metade da beleza do caminho. Pra quem for fazer o mesmo trajeto (ou o trajeto Mendoza-Santiago) e não conseguir as poltronas da frente, o negócio é sentar do lado direito do ônibus, lado em que fica o Aconcágua e a partir do qual é possível visualizar melhor os famosos “caracoles”.

O ônibus é bem confortável. Antes do início da viagem, eles distribuem alfajores aos passageiros e servem 7UP (refrigerante de limão). No meio da viagem, distribuem bandejas com um sanduíche de presunto e queijo, um pacotinho de bolachas doces e outro de bolachas salgadas, além de mais refrigerante. A viagem é longa e, ainda assim, é o suficiente, sobretudo pra quem tomou um bom café da manhã. Eu não sabia se haveria refeições a bordo, então levei sanduíches, bolachas e água. Salvo engano há água disponível durante toda a viagem – não sei dizer ao certo porque acabei bebendo da água que levei.

Antes mesmo de deixar Mendoza para trás, o visual já impressiona: as cordilheiras estão à frente e, nas laterais, algumas das dezenas de vinícolas existentes na região. O resto do caminho é tão bonito quanto; eu não tenho palavras para descrever quão maravilhoso e emocionante é cruzar os Andes e ver aquela paisagem espetacular de perto. Acho que o fato de eu ter vontade de ficar tirando fotos a todo o momento (eu me controlei, e mesmo assim tirei mais de 200 fotos ao longo do percurso) resume um pouco o que eu senti. Tentei selecionar ao máximo algumas fotos para colocar aqui (de qualquer forma, acho que esse será o post com mais fotos incluídas!).

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Ao longo do caminho se encontra desde motociclistas até ciclistas. A estrada não é muito movimentada, e só de vez em quando cruzamos com algum carro ou caminhão.

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O única problema da viagem é a passagem pela fronteira. Nós ficamos cerca de quatro horas por lá até sermos liberados para entrar no Chile – segundo nos disseram, o pessoal que estava viajando de carro ficaria na fila até o anoitecer (há uma fila para carros e outra para ônibus – embora a estrada não estivesse muito movimentada, a fila de carros era bastante longa, talvez pelo fato de ser dia 30/12). Essa é uma das desvantagens de viajar de carro, aliada ao desconhecimento da estrada e à impossibilidade de se apreciar a paisagem enquanto se dirige. Além disso, li que é bastante complicado alugar um carro para atravessar a fronteira. O ponto positivo seria poder parar para olhar mais de perto e tirar fotos dos pontos mais bonitos.

Voltando à imigração: a Cata não permite que os passageiros desçam antes de ser liberada a entrada no “galpão” (sim, é tipo um galpão) onde fica o pessoal da imigração chilena e argentina. Não havia muitos ônibus na nossa frente, mas até todos os passageiros passarem pelos trâmites da imigração vai um tempo considerável.

É um pouco cansativo esperar dentro do ônibus. Pelo menos o visual era muito bonito – estávamos bem no meio da cordilheira dos Andes. Quando nos liberaram para descer, foi duro suportar o vento frio que soprava lá fora (e que contrastava com o calor que estava dentro do ônibus, pelo menos ali na parte em que sentamos, onde pega bastante sol). Entrando no galpão, tivemos de enfrentar duas filas: primeiro, a da imigração argentina, para registrar nossa saída do país; depois, a da imigração chilena, para registrar nossa entrada. Em seguida, voltamos para o ônibus que, na sequência, se dirigiu para dentro do galpão, onde tivemos de descer mais uma vez, passar nossas malas pelo raio-x e submeter nossa bagagem de mão à “vistoria” do cão farejador da polícia de imigração. É proibido ingressar no Chile com alimentos, em especial frutas e verduras (a cordilheira constitui uma barreira natural para pragas, então eles evitam a todo custo que turistas tragam esses males consigo), por isso a inspeção das bagagens é bastante rígida.

Depois de sermos liberados, seguimos viagem. Entrando no Chile, logo nos deparamos com a maior atração da viagem: “los caracoles”, uma sequência de curvas de cair o queixo! A habilidade com que os motoristas de ônibus e de caminhões contornam aquelas curvas é impressionante… Quando o ônibus chega na curva, a impressão que se tem é de que o motorista não vai vencê-la e de que vamos cair… mas ele vence, e logo em seguida surge outra! Emoção pura! Hehehe…

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Depois de cruzar “los caracoles”, a paisagem continua bonita, com a cordilheira sempre dominando o cenário. Um pouco antes de chegar a Viña, começam a surgir as propriedades cheias de parreirais, que muitas vezes são plantados montanha acima. É muito bonito! Não bastasse a beleza natural, ainda nos deparamos com essas “flores” artificiais “plantadas” no meio do caminho… super lindas!

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Como eu disse, o horário previsto para a chegada era 16h20, mas acabamos chegando em Viña um pouco depois das 18h. A viagem é cansativa, isso é fato; mas, apesar de todo o perrengue, eu faria de novo. A paisagem linda que se vê durante todo o caminho compensa qualquer coisa.

Saltos do Petrohué e lago Todos los Santos

Esqueci de contar sobre dois outros lugares imperdíveis no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales – os saltos do rio Petrohué e o lago Todos los Santos. Como já expliquei em outro post, alugamos um carro em Puerto Varas e, em um mesmo dia, fomos aos saltos do Petrohué, ao lago Todos los Santos e ao vulcão Osorno; a vantagem de começar pelos dois primeiros é que sobra mais tempo para aproveitar o vulcão (a principal atração do parque).

A estrada, como também já falei, é bem sinalizada e muito boa. A primeira parada são os saltos do rio Petrohué. Há estacionamento grátis no local, e para chegar aos saltos é preciso, primeiro, passar por um prédio muito bonito, com um projeto moderno, no qual há duas ou três lojinhas, uma cafeteria e uma espécie de agência de turismo que oferece atividades como rafting e passeios de barco. Deixando o prédio e cruzando uma pequena ponte, há a entrada propriamente dita: o valor do ingresso, por pessoa, é de CLP 1500 (o equivalente a R$ 7,50). Logo depois, à direita, há banheiros (grátis); para quem segue reto, em seguida há a indicação de dois “senderos” – ou seja, de duas trilhas: começamos pela trilha da esquerda e nos deparamos com as águas de cor verde-esmeralda dos saltos do rio Petrohué.

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As fotos não fazem jus à beleza desse lugar. A cor da água é lindíssima!

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Os saltos do rio Petrohué resultam do desague do lago Todos los Santos e correm sobre uma base de lava basáltica proveniente do vulcão Osorno, que pode ser visto a partir dali.

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Há passarelas que permitem ao visitante ver os saltos a partir de diferentes ângulos.

Como fazia sol nesse dia e estava até um pouco quente, tivemos o “prazer” de conhecer os tábanos, mosquitos gigantes que habitam a região entre o final de dezembro e o final de janeiro. Felizmente, avistamos apenas alguns e confirmamos algumas informações que tínhamos obtido previamente: eles adoram a cor preta e ficam próximos a rios e lagos. Pra quem for visitar a região nessa época e quiser saber mais sobre essa “praga”, recomendo ler o relato postado no blog Nerds Viajantes: http://www.nerdsviajantes.com/2013/01/06/verao-no-chile-cuidado-com-os-tabanos/.

Indo pelo sendero que leva ao sentido contrário, a paisagem é dominada pela mata; o rio prossegue, mas a parte mais bonita fica mesmo no lado oposto, onde há as quedas d’água. O melhor, então, é pegar, em primeiro lugar, a trilha da direita, que é a mais sem graça, pra deixar o que importa para o final.

Saindo dessa porção do parque e seguindo pelo mesmo caminho, chega-se ao lago Todos los Santos. O rio segue seu curso ao longo do caminho, que é muito bonito; é preciso enfrentar um trecho de estrada de chão que, apesar disso, se encontra em bom estado. Chegando ao lago, à esquerda, bem ao fundo, há um estacionamento grátis. Não se paga nada para visitar o lago.

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O lago é azulado e a paisagem é muito bonita. É possível passear de barco pelo lago e ir até a Isla Margarita. Como estávamos com fome, já não era tão cedo e queríamos deixar bastante tempo disponível para o Osorno, não fizemos o passeio – ou seja, temos no mínimo um motivo pra voltar!

Visita ao vulcão Osorno

Como escrevi nos posts anteriores, o vulcão Osorno domina a paisagem das cidades situadas à beira do Lago Llanquihue. O Osorno, que tem 2.652 metros, faz parte do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales; desde Puerto Varas, é possível alcançá-lo depois de percorrer cerca de 60 km. Para aqueles que não se contentam em avistá-lo de longe, é possível visitá-lo e, inclusive, subir até a base do seu cume nevado – sem qualquer preocupação, já que a última erupção foi registrada em 1869.

Fomos até o “Centro de Ski y Montaña Volcán Osorno” com o carro que alugamos em Puerto Varas (cerca de R$ 150 a diária). O Parque Nacional Vicente Pérez Rosales é composto por várias atrações que não ficam dentro de um perímetro determinado e cercado, como eu imaginava, mas que estão espalhadas por uma mesma região. Além do vulcão Osorno, fazem parte do parque, entre outras atrações, os saltos do rio Petrohué e o lago Todos los Santos (falarei sobre ambos em um post específico); como esses pontos ficam próximos, o negócio é visitar todos no mesmo dia – as agências de turismo oferecem um passeio que abrange os três. Optamos por começar pelos saltos do Petrohué, seguido pelo lago e, por fim, pela visita ao vulcão; recomendo esse itinerário, porque assim a visita ao vulcão – a principal atração, a meu ver – fica por último e é possível aproveitar melhor.

A estrada que leva até o vulcão é bastante sinuosa e muito bonita, rodeada por flores em boa parte do caminho. O fato de o vulcão ficar mais perto a cada quilômetro percorrido torna tudo ainda mais lindo. A volta é tão bonita quanto, já que é possível ver toda a cadeia montanhosa ao redor e os lagos da região. No caminho, há um ou dois paradouros.

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Chegando lá em cima, há um estacionamento (grátis – e do qual já se tem uma bela vista dos lagos, das montanhas e do vulcão Cabulco) e uma estrutura que contempla restaurante e cafeteria, banheiros e teleférico (as telesillas).

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As telesillas são nada mais, nada menos, do simples “bancos”; a proteção se limita a uma barra de ferro…

DSC_0370 O bilhete de ida e volta via telesillas custou cerca de R$ 70,00. Há a opção de subir de teleférico e descer de mountain bike por um preço semelhante. É possível, ainda, “voar” de tirolesa; além disso, há pistas de ski e snowboard. Não procurei obter informações sobre essas atividades porque não tinha interesse em nenhuma delas, mas acredito que no site há algo a respeito (www.volcanosorno.com).

Para chegar à base do topo nevado do vulcão, é preciso fazer uma “baldeação”: a primeira parada é na “Estação Primavera”, a 1420 metros de altura; ali, outra telesilla te leva até a “Estação Glaciar”, a 1760 metros. O caminho é um pouco assustador: embora a distância até o solo não seja considerável, o fato de se estar suspenso em uma cadeirinha dessas, presa apenas a um cabo de aço, com um vento forte dificultando a subida, dá um certo medo. Sem contar o frio: o vento é muuuito gelado – aconselho fortemente levar luvas e uma manta bem quentinha.

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Mas chegar à base nevada do cume do vulcão compensa qualquer sensação ruim. A vista lá de cima é linda: dá pra ver os lagos, a cadeia montanhosa que rodeia a região, os outros vulcões – o Cabulco fica logo à frente… além disso, estar “no” vulcão depois de tanto vê-lo de longe é emocionante.

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Há quem se arrisque a subir a pé – haja fôlego!

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A descida é tão ou mais bonita do que a subida!

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No caminho de volta a Puerto Varas, é possível parar para visitar a Laguna Verde – um “braço” do Lago Llanquihue que também é um ponto turístico da região, mas cuja beleza, sinceramente, não me impressionou tanto. Dizem que o tom de verde da água da laguna é o resultado das algas que nela habitam. O ponto de entrada para a laguna está bem sinalizado; há uma boa estrutura no local, com passarelas e bancos à beira da água. A entrada é gratuita.

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As fotos não conseguem mostrar toda a grandiosidade e a beleza que se vê na visita ao vulcão Osorno. Tenho certeza de que ainda vou me espantar – e muito – com outras maravilhas da natureza, mas jamais esquecerei a sensação que experimentei ao subir no Osorno e concluir que eu não sou apenas uma “turista urbana”.

A passageira indica: Frutillar

Quando visitamos a região dos lagos andinos, no Chile, decidimos contratar passeios em agências de turismo para conhecer os pontos de interesse. No entanto, já no primeiro dia levamos um “bolo” da agência que havíamos contratado – já havia passado do horário combinado quando a recepcionista do hotel nos avisou que haviam ligado comunicando o cancelamento do passeio. Em função do adiantado da hora, não nos restou opção senão alugar um carro – foi a melhor coisa que fizemos, pois acabamos explorando a região a nosso modo.

Como achamos que não seria possível ir até o vulcão e a todas as demais atrações do Parque Vicente Pérez Rosales ainda naquele dia, decidimos almoçar na nossa base, Puerto Varas, e, à tarde, visitar algumas cidades vizinhas. A primeira parada foi Puerto Octay, uma cidade bem pequenina. Fomos até lá por indicação do guia Lonely Planet. Sinceramente, acho que a cidade nem deveria constar do guia, pois é muito, muito pequena, e não tem nenhum atrativo considerável, a não ser as casas de madeira em estilo alemão. Apesar de estar situada à beira do lago, não há, como em Puerto Varas, uma “beira lago”; não encontramos uma saída para o lago – no máximo, conseguimos estacionar em um canto a partir do qual era possível ver o lago e o  vulcão Osorno. O caminho até lá, sim, era bastante bonito, com o vulcão dominando a paisagem.

A parada seguinte foi Frutillar, que, assim como Puerto Varas e Puerto Octay, também fica à beira do Lago Llanquihue e é marcada pela colonização germânica, refletida na arquitetura e no destaque para as kuchens (uma espécie de bolo – pra quem é do sul, aviso que não tem muito a ver com as nossas “cucas”, que, aliás, são bem mais gostosas).

Já na chegada à cidade, indo em direção ao lago, é possível avistar o onipresente vulcão Osorno.

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A área que fica à beira do lago é muito bonita; há um passeio, bancos para descansar, um pier e uma faixa de “areia” (que não é bem areia) para aqueles corajosos que fazem do lago a sua praia.

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Do outro lado da rua, é possível encontrar, nas vias laterais, restaurantes e cafés.

A cidade é bem pequena, e a área de interesse turístico, aparentemente, circunscreve-se aos arredores do lago. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, Frutillar sedia um festival de música clássica; outra atração cultural é o Museu Colonial Alemão, que não visitamos.

Para quem não aluga carro, há agências que fazem passeios até Frutillar; além disso, no centro de Puerto Varas passam, seguidamente, ônibus com destino à cidade. Vale a pena destinar um par de horas a Frutillar para apreciar o lago e o vulcão Osorno a partir de outro ângulo.

A passageira indica: Puerto Varas

O Chile foi nosso destino no final de 2014. Quando programamos a viagem, tivemos uma única dificuldade: decidir quais lugares visitar. É incrível como o Chile tem tantos e tão diversificados destinos turísticos: é possível visitar, em um mesmo país, aquele que é considerado o deserto mais árido do mundo e, também, conhecer geleiras. Sendo a nossa primeira vez no Chile, decidimos começar pelo básico, visitando Santiago e Viña del Mar; como havia dias suficientes para incluir mais algum destino, optamos por conhecer a região dos lagos andinos, que faz parte da patagônia chilena e fica próximo à Argentina.

A região é marcada pelos diversos lagos (!) e vulcões que abriga. A melhor base para explorá-la é, sem dúvida, Puerto Varas, município que fica às margens do Lago Llanquihue. Embora a capital da região seja Puerto Montt – onde pousam os voos que partem de Santiago -, Puerto Varas é mais turística; Puerto Montt, justamente por ser uma cidade maior, é mais caótica e não tão bonita. Puerto Varas, por outro lado, é bastante tranquila: a cidade tem cerca de 40.000 habitantes, é compacta e conta com hotéis e restaurantes de boa qualidade.

Para chegar até lá, fomos de avião de Santiago e Puerto Montt. Ainda no aeroporto, pode-se pegar um táxi ou uma van que se dirigem direto a Puerto Varas, situada a cerca de 30 minutos; é possível, também, pegar um ônibus até o centro de Puerto Montt e, de lá, outro ônibus até Puerto Varas. Optamos por pegar uma das vans que estavam estacionadas na saída do aeroporto; para duas pessoas, o trajeto custou CLP 15.000 – o equivalente a cerca de R$ 75,00. Os táxis estavam cobrando CLP 20.000 (ou cerca de R$ 100,00).

Em Puerto Varas, nos hospedamos no hotel Cabaña del Lago. O hotel fica na beira do Lago Llanquihue e tem vista para os dois vulcões que dominam a cidade: o Osorno e o Calbuco. Do nosso quarto, tínhamos uma vista espetacular: olhando para a esquerda, podíamos ver o vulcão Calbuco; para a direita, era possível ver a parte central da cidade.

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O hotel era muito, muito bom: o quarto era bastante espaçoso; dentre as facilidades, piscina aquecida, sauna seca e a vapor, spa, academia, um bar e um restaurante que oferece boas refeições (e taças de vinho muito bem servidas!). Pagamos cerca de R$ 1.000,00 por quatro diárias.

A cidade é muito bonitinha, com suas construções em estilo germânico – reflexo da colonização alemã, que também se mostra presente nos cafés e confeitarias que oferecem kuchens em vários sabores -, o lago e os vulcões que a cercam. Há alguns barcos que fazem passeios pelo lago (por um preço um tanto salgado – cerca de R$ 100,00 por uma hora, incluído um suco ou um pisco sour); é possível, também, alugar um caiaque ou equipamentos pra fazer stand up paddle; pra quem é (muito!) corajoso, tomar banho no lago também é uma opção. Embora a temperatura máxima, nos dias em que estivemos lá, não tenha ultrapassado os 20º C (e a mínima tenha ficado na casa dos 8/10º C), vimos muita gente entrando no lago, principalmente no dia de Natal, quando o sol apareceu com mais firmeza durante boa parte do tempo e até fez um leve calorzinho… Nesse dia, havia muita gente ao redor do lago; nas partes em que há uma espécie de “praia”, com uma faixa de areia, havia inclusive um pessoal munido de guarda-sol…

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Mas não há, na cidade, um passeio obrigatório: Puerto Varas é apenas a base para conhecer as belezas naturais da região. E, como base, mais do que cumpre sua função: primeiro porque, como já escrevi, conta com bons hotéis e bons restaurantes – que oferecem frutos do mar fresquíssimos; além disso, as principais atrações – o vulcão Osorno, os saltos do Petrohué, o lago Todos los Santos e as demais cidades que ficam ao redor do Llanquihue – ficam a, no máximo, 40 minutos.

Pra quem quer visitar Chiloé, um arquipélago que vem ganhando apelo turístico, basta ir a Puerto Montt e lá pegar um ferry – há quem faça o passeio como um bate e volta, mas aparentemente vale a pena ficar alguns dias por lá (coisa que faremos em uma próxima oportunidade). É de Puerto Varas, ainda, que parte o Cruce Andino com destino a Bariloche – passeio alvo de controvérsias, mas que parece de certa forma interessante (tirando o perrengue de enfrentar trechos de barco e ônibus durante um ou dois dias).

Resumindo: além de Puerto Varas ser uma ótima base para conhecer a região, o conjunto todo – o lago, os vulcões, as construções em estilo germânico – faz dela uma bonita cidade e um excelente destino no sul do Chile.