A passageira indica: Girona

Hoje vou falar sobre uma cidade catalã que merece ser visitada: Girona, situada a cerca de 100 quilômetros de Barcelona. Em 2012, passei alguns dias em Girona coletando material para um trabalho e me encantei pelo lugar, que tem por volta de 100 mil habitantes.

Um passeio pela cidade histórica permite ver de perto suas origens romanas e a importância da cultura judaica em Girona. Quem vai a Girona tem a oportunidade de conhecer uma das mais extensas e bem preservadas muralhas da Europa, construídas pelos romanos e ampliadas na época medieval. As casas coloridas ao longo do rio Onyar fazem lembrar Florença – há quem compare Girona com a cidade italiana.

Girona começo

Girona muralha

Caminhar pelas ruelas do “El Call”, o bairro judio, era o meu programa favorito; quando o pessoal vai pra casa tirar a famosa “siesta”, costume que é seguido à risca por lá, o passeio fica ainda mais interessante – o pouco movimento dá uma aura de mistério à cidade. Outro lugar interessante de se visitar são os banhos árabes – que, apesar do nome, na verdade foram construídos pelos romanos. Os banhos árabes datam do século XII e, segundo consta, foram utilizados como banhos até o século XV.

Banys arabs

Girona início

Girona segunda

Além desse centro histórico riquíssimo, Girona é conhecida pela gastronomia. Come-se muito bem por lá – acho que, de todos os restaurantes a que fui, apenas um não me agradou muito. Além disso, o famoso “El Celler de Can Roca”, restaurante com três estrelas Michelin e considerado o melhor restaurante do mundo em 2013 pela revista “Restaurant Magazine”, fica em Girona. A cidade também conta com outros restaurantes estrelados.

Pra quem está em Barcelona, vale a pena fazer um bate-volta até Girona – há trens rápidos que levam cerca de 40 minutos para percorrer o trajeto, e um dia é suficiente para explorar o centro histórico. Para quem deseja conhecer a Costa Brava e suas praias, Girona é uma boa base. Para quem está na região em maio, eu classificaria a visita a Girona como imperdível: em maio é realizado o “Temps de Flors”, uma exposição de pátios, monumentos, flores e jardins que, neste ano, está na sua 60ª edição e ocorrerá de 9 a 17 de maio. Durante o “Temps de Flors”, a cidade fica “vestida” de flores e instalações artísticas que decoram monumentos, pátios e jardins – as fotos abaixo são apenas uma demonstração do que se encontra em Girona nessa época. Como diz o slogan da cidade, “Girona emociona” – ainda mais no “Temps de Flors”.

Girona

Girona II

Girona III

Girona IV

Girona V

Girona VI

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A passageira indica: Segóvia

Quem vai a Madrid pode optar por fazer passeios de um dia pelas cidades vizinhas. O mais famoso “bate-volta” é, sem dúvida, Toledo. Mas, na minha opinião, Segóvia supera a capital de Castilla La-Mancha.

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Talvez a minha opinião se deva ao fato de que eu esperava demais de Toledo e não tinha muitas expectativas a respeito de Segóvia; talvez porque no dia em que visitei Toledo eu estava muito cansada e gripada, sem paciência para muita coisa. De qualquer forma, Segóvia foi uma grata surpresa.

Pegamos um trem Avant na estação de Chamartín, em Madrid. O trem, de alta velocidade, faz o percurso Madrid – Segóvia – Valladolid e alcança a primeira em cerca de meia hora. As passagens custaram por volta de 20 euros (ida e volta – preço praticado em outubro de 2014) e havia várias opções de horários para o trecho de ida (e um pouco menos para o retorno). Escolhemos o trem que saía às 11h30 e às 12h estávamos em Segóvia. A estação onde chegam os trens de alta velocidade – Segóvia Guiomar – fica um pouco distante do centro; bem em frente à estação, há uma parada com informações sobre os ônibus que passam por ali. Pegamos a linha 11 e pagamos cerca de 1 euro pela passagem. Depois de uns dez minutos, o ônibus para em uma praça que fica em frente ao aqueduto – não vai ser difícil encontrar o ponto de chegada!

O aqueduto de Segóvia (El Acueducto) é uma impressionante obra de quase 900 metros. Trata-se de uma “empreendimento” romano em que não se empregou uma gota de argamassa ou o que quer que fosse para unir os blocos que o formam. O aqueduto é realmente impressionante e, para se ter uma melhor visão da cidade e do próprio aqueduto, basta subir as escadas que ficam ao lado de direito de quem passa por baixo de suas arcadas.

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Logo ao lado direito da praça, há um escritório de informações turísticas. A dica é ir até lá e pegar um mapa da cidade; as atendentes traçam a rota que deve ser seguida para se alcançar os principais pontos de interesse. O mapa é bem completo, contendo breves informações sobre as construções a visitar. Nós seguimos a rota indicada porque não tínhamos muitas horas, mas a cidade é tão bonitinha, com tantas ruelas charmosas, que vale sair caminhando sem rumo.

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A cidade é cercada por colinas e pela Sierra de Guadarrama e oferece vistas maravilhosas.

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Mas o ponto alto do roteiro, pra mim, é o alcázar. Trata-se de um palácio fortificado que foi utilizado, inclusive, como residência real. Segundo dizem, serviu de inspiração a Walt Disney para a concepção do castelo da Bela Adormecida.

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Como não tínhamos muito tempo, decidimos não entrar no alcázar, mas garanto que a vista que se tem a partir daquele ponto – assim como a própria parte externa do castelo – já compensa.

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A especialidade culinária de Segóvia é o cochinillo, um leitãozinho assado inteiro. Eu sou adepta da teoria segundo a qual “se é típico, tem de comer”, e por isso topei almoçar um cochinillo. Como estávamos em três, pedimos 3/4 do cochinillo, que vinha acompanhado de fritas. Já na chegada do prato, o cheiro não me agradou, então comi muito pouco (e estava bom, mas não adianta, o cheiro não permitiu que eu comesse mais). Meu pai comeu enlouquecidamente e só falava no tal do cochinillo nos dias seguintes.

IMG_2091Se você é fã de suínos, recomendo!

Como é uma cidade pequena, o costume de tirar uma siesta depois do almoço é fielmente seguido; as ruas ficam, então, praticamente desertas, o que dá à cidade um ar ainda mais especial! Acho que o passeio bate-volta é suficiente para conhecer o que Segóvia oferece, mas é claro que quem decide pernoitar deve ser presenteado com lindas vistas da cidade iluminada à noite.

Pra retornar à estação de trem, basta embarcar no mesmo ônibus, que para em frente ao McDonalds, mas do outro lado da rua.

Resumindo: se você gosta de um belo cenário, vá a Segóvia!