De Mendoza a Viña del Mar de ônibus

Como já falei em um post anterior, quem está em Santiago pode ir a Mendoza (ou vice-versa) de duas formas: de avião ou de ônibus. A viagem de avião tem uma vantagem imbatível: dura cerca de 30 minutos – ou seja, pra quem tem o roteiro apertado, é a escolha ideal. Mas a viagem de ônibus, embora seja beeeem mais demorada, vale como um passeio por si só.

Como também já falei, nós optamos por ir a Mendoza de avião e voltar até o Chile de ônibus. Nosso destino no Chile era Viña del Mar, a cerca de 400km de Mendoza. Cerca de 15 dias antes da data da viagem, acessamos os sites de duas empresas que fazem a rota para pesquisar preços e horários: a Andesmar e a Cata Internacional. Optamos por comprar na Cata. O site não é nada complicado; foi bem fácil comprar e realizar o pagamento com cartão de crédito. As passagens são emitidas na hora – não se trata de um voucher, então não é necessário fazer qualquer procedimento para retirada de passagens no dia. Pagamos em torno de R$ 150,00 por pessoa. O ônibus deveria partir de Mendoza às 9h30 e chegar em Viña às 16h20 – não sei se esse horário é diário; melhor checar no site da empresa.

No dia da viagem, chegamos no terminal de Mendoza e fomos até o escritório da Cata para perguntar de qual box o ônibus partiria. Em seguida, nos dirigimos ao box e esperamos por alguns minutos até o ônibus estacionar. Os caras que colocam as malas no porão do ônibus pedem “propina”, então vá preparado com algumas moedinhas (eles aceitam qualquer coisa, inclusive reais). O ônibus tem dois andares; no andar inferior, ficam os passageiros que optam pelo “serviço cama executivo”; no andar superior, ficam aqueles que escolhem o serviço “semi cama”. Optamos por comprar as duas primeiras poltronas do andar superior, de onde se tem uma visão panorâmica do caminho. Aconselho fortemente escolher essas poltronas, pois a vista que se tem é imperdível; acredito que quem viaja nas demais poltronas não consegue ver metade da beleza do caminho. Pra quem for fazer o mesmo trajeto (ou o trajeto Mendoza-Santiago) e não conseguir as poltronas da frente, o negócio é sentar do lado direito do ônibus, lado em que fica o Aconcágua e a partir do qual é possível visualizar melhor os famosos “caracoles”.

O ônibus é bem confortável. Antes do início da viagem, eles distribuem alfajores aos passageiros e servem 7UP (refrigerante de limão). No meio da viagem, distribuem bandejas com um sanduíche de presunto e queijo, um pacotinho de bolachas doces e outro de bolachas salgadas, além de mais refrigerante. A viagem é longa e, ainda assim, é o suficiente, sobretudo pra quem tomou um bom café da manhã. Eu não sabia se haveria refeições a bordo, então levei sanduíches, bolachas e água. Salvo engano há água disponível durante toda a viagem – não sei dizer ao certo porque acabei bebendo da água que levei.

Antes mesmo de deixar Mendoza para trás, o visual já impressiona: as cordilheiras estão à frente e, nas laterais, algumas das dezenas de vinícolas existentes na região. O resto do caminho é tão bonito quanto; eu não tenho palavras para descrever quão maravilhoso e emocionante é cruzar os Andes e ver aquela paisagem espetacular de perto. Acho que o fato de eu ter vontade de ficar tirando fotos a todo o momento (eu me controlei, e mesmo assim tirei mais de 200 fotos ao longo do percurso) resume um pouco o que eu senti. Tentei selecionar ao máximo algumas fotos para colocar aqui (de qualquer forma, acho que esse será o post com mais fotos incluídas!).

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Ao longo do caminho se encontra desde motociclistas até ciclistas. A estrada não é muito movimentada, e só de vez em quando cruzamos com algum carro ou caminhão.

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O única problema da viagem é a passagem pela fronteira. Nós ficamos cerca de quatro horas por lá até sermos liberados para entrar no Chile – segundo nos disseram, o pessoal que estava viajando de carro ficaria na fila até o anoitecer (há uma fila para carros e outra para ônibus – embora a estrada não estivesse muito movimentada, a fila de carros era bastante longa, talvez pelo fato de ser dia 30/12). Essa é uma das desvantagens de viajar de carro, aliada ao desconhecimento da estrada e à impossibilidade de se apreciar a paisagem enquanto se dirige. Além disso, li que é bastante complicado alugar um carro para atravessar a fronteira. O ponto positivo seria poder parar para olhar mais de perto e tirar fotos dos pontos mais bonitos.

Voltando à imigração: a Cata não permite que os passageiros desçam antes de ser liberada a entrada no “galpão” (sim, é tipo um galpão) onde fica o pessoal da imigração chilena e argentina. Não havia muitos ônibus na nossa frente, mas até todos os passageiros passarem pelos trâmites da imigração vai um tempo considerável.

É um pouco cansativo esperar dentro do ônibus. Pelo menos o visual era muito bonito – estávamos bem no meio da cordilheira dos Andes. Quando nos liberaram para descer, foi duro suportar o vento frio que soprava lá fora (e que contrastava com o calor que estava dentro do ônibus, pelo menos ali na parte em que sentamos, onde pega bastante sol). Entrando no galpão, tivemos de enfrentar duas filas: primeiro, a da imigração argentina, para registrar nossa saída do país; depois, a da imigração chilena, para registrar nossa entrada. Em seguida, voltamos para o ônibus que, na sequência, se dirigiu para dentro do galpão, onde tivemos de descer mais uma vez, passar nossas malas pelo raio-x e submeter nossa bagagem de mão à “vistoria” do cão farejador da polícia de imigração. É proibido ingressar no Chile com alimentos, em especial frutas e verduras (a cordilheira constitui uma barreira natural para pragas, então eles evitam a todo custo que turistas tragam esses males consigo), por isso a inspeção das bagagens é bastante rígida.

Depois de sermos liberados, seguimos viagem. Entrando no Chile, logo nos deparamos com a maior atração da viagem: “los caracoles”, uma sequência de curvas de cair o queixo! A habilidade com que os motoristas de ônibus e de caminhões contornam aquelas curvas é impressionante… Quando o ônibus chega na curva, a impressão que se tem é de que o motorista não vai vencê-la e de que vamos cair… mas ele vence, e logo em seguida surge outra! Emoção pura! Hehehe…

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Depois de cruzar “los caracoles”, a paisagem continua bonita, com a cordilheira sempre dominando o cenário. Um pouco antes de chegar a Viña, começam a surgir as propriedades cheias de parreirais, que muitas vezes são plantados montanha acima. É muito bonito! Não bastasse a beleza natural, ainda nos deparamos com essas “flores” artificiais “plantadas” no meio do caminho… super lindas!

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Como eu disse, o horário previsto para a chegada era 16h20, mas acabamos chegando em Viña um pouco depois das 18h. A viagem é cansativa, isso é fato; mas, apesar de todo o perrengue, eu faria de novo. A paisagem linda que se vê durante todo o caminho compensa qualquer coisa.