A passageira indica: Mendoza

Nossa viagem pelo Chile no final de 2014 fez um pequeno desvio: fomos parar em Mendoza. Aproveitar para conhecer Mendoza quando se está em Santiago é uma escolha bastante lógica, já que ambas são separadas, basicamente, pela Cordilheira dos Andes. O voo de Santiago a Mendoza dura cerca de 40 minutos; de Buenos Aires a Mendoza, quase duas horas, o que faz com que seja muito mais vantajoso fazer o primeiro trajeto – vantagem que é reforçada pela beleza que se vê ao cruzar os Andes.

Se o voo entre as duas cidades oferece belas paisagens, a viagem de ônibus não fica devendo em nada. É claro que o tempo de viagem é bem mais longo – o percurso dura cerca de seis horas, podendo ser maior em função dos trâmites na fronteira -, mas a beleza das montanhas, da estrada, enfim, da paisagem como um todo, faz o perrengue valer a pena. Como voltaríamos ao Chile depois de visitar Mendoza, decidimos fazer o trecho de ida de avião e o trecho de volta de ônibus. Quando pesquisamos o preço das passagens de avião, o valor do trecho de ida para a data que queríamos era mais caro do que o valor do bilhete de ida e volta (com a volta em um dia qualquer no mês seguinte). Assim, compramos um bilhete de ida e volta Santiago-Mendoza, pelo qual pagamos R$ 300,00, mas ocupamos apenas a ida; para a volta, compramos  passagem de ônibus no site da CATA Internacional. Sobre a volta, conto mais em outro post.

Mendoza é um semi-deserto; chove, em um ano, cerca de 250 milímetros. E, ainda assim, é uma das cidades mais arborizadas que já visitei.

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Por conta da baixa quantidade de chuva anual, a água é um problema em Mendoza; no entanto, esse problema é bem administrado graças a um sistema criado pelos primeiros habitantes da região. Os Huarpes criaram o sistema de “acéquias”, canais que conduzem a água proveniente do degelo dos Andes. As acéquias estão por todos os lados em Mendoza: são valas que ficam entre a calçada e a rua. Para o turista desavisado, pode ser um perigo…

Os vinhos são, em geral, o foco de quem visita Mendoza. Mas Mendoza é muito mais do que isso: a partir dali, é possível visitar o Aconcágua – o ponto mais alto das Américas -, visitar estâncias e, além disso, aproveitar uma cidade bonita e vibrante. Nosso objetivo era visitar algumas vinícolas e, à noite, curtir a cidade.

Diante desse objetivo, resolvemos nos hospedar próximo à rua Aristides Villanueva, onde se concentra a maioria dos bares e restaurantes da cidade. Escolhemos o Quinta e Suites Apart Hotel, a meia quadra dessa rua; ficamos em um apartamento com quarto, sala (na qual havia duas camas de solteiro que também faziam as vezes de sofá) e uma mini cozinha. O apartamento era bom, bastante espaçoso – em especial o quarto -, e a diária incluía café da manhã, que era servido no próprio apartamento e, embora fosse um pouco fraquinho (croissant, folhado salgado, manteiga, geleia, suco de laranja, café, leite e chá), cumpria a sua função. O apart hotel tem uma piscina que sequer chegamos a visitar, apesar o calor que fazia em Mendoza – a temperatura máxima ficou em torno dos 35 graus nos dias em que passamos lá.

Recomendo muito a área: além dos estabelecimentos que ficam na rua Aristides Villanueva, há, tanto na rua Belgrano como na Sarmiento – que também são próximas -, bons restaurantes, inclusive os bem avaliados Azafran e Maria Antonieta. O Parque San Martin também fica nos arredores; não tivemos a oportunidade de visitá-lo (muito vinho, pouco tempo), mas dizem que é muito bonito. A parte mais central da cidade – a Plaza Independencia (onde fica a “fonte de vinho” da foto acima) e o Paseo Sarmiento – fica um pouco mais distante, a cerca de 20 ou 30 minutos de caminhada. No Paseo Sarmiento também há bares e cafés simpáticos, mas que não se comparam àqueles da Aristides; visitamos tantos que acabei nem guardando os nomes. A Cerveceria Antares me marcou pelo ambiente animado – e lotado! – e pelas muitas opções de cervejas produzidas pela casa – que eu, na verdade, não experimentei (haja fígado depois de tanto vinho), mas os meus “colegas” de viagem aprovaram.

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Pra quem quer visitar vinícolas, as melhores alternativas são contratar um remis ou agendar os passeios em uma agência de turismo. Não vale a pena alugar carro: além de bebida e direção não formarem uma boa dupla, os preços são altos e as estradas não são bem sinalizadas. Contratar um remis – ou seja, um motorista – também não é barato, mas é a opção mais cômoda, que permite que se escolha quais e quantas vinícolas visitar em um dia. Aparentemente os remises, em geral, cuidam das reservas nas vinícolas, mas, como já tínhamos tudo pronto, não sabemos exatamente como funciona. Contratamos o serviço por dois dias, pagando $2.000 pesos argentinos no total – ou seja, cerca de R$ 500,00. Como eu disse, não foi barato, mas valeu a pena: eles nos levavam às vinícolas e ficavam a nossa espera. No primeiro dia, nosso motorista foi o Alejandro, que nos “carregou” em um Astra; no segundo, o Dario, que dirigia um Corolla novinho. Gostamos muito dos dois: enquanto o Alejandro é bem quieto e discreto, o Dario é mais falante (nos contou várias curiosidades sobre a cidade) e muito simpático – ao final da primeira visita lá estava ele no carro, com uma garrafa de água geladinha pra cada um de nós! Ao final do post vou deixar o contato de ambos.

Não dá pra ir a Mendoza sem fazer as reservas das visitas previamente. Deixamos para reservar um pouco em cima da hora e não conseguimos horário em algumas vinícolas que queríamos conhecer. Quando se vai planejar as visitas, é preciso considerar que as regiões vinícolas – Maipu, Lujan de Cuyo e Valle de Uco – são um pouco distantes entre si. Maipu fica a cerca de 15 km da cidade de Mendoza, e Lujan de Cuyo a 20 km; já o Valle de Uco fica a 70 km. Por essas regiões, estão espalhadas cerca de 1500 vinícolas de tamanhos variados; não é tão fácil escolher quais visitar – mas o certo é que conhecer mais de 3 em um dia é uma loucura! Um bom site para pesquisar sobre algumas das vinícolas e suas características é o http://www.experiencemendoza.com; a página aponta aquelas que são as favoritas dos editores, além de dar outras dicas legais sobre a cidade e as atrações da região. Vou falar sobre cada uma das vinícolas que visitamos em posts específicos.

Com esse número enorme de vinícolas, uma visita a Mendoza não basta. Dizem que a região fica muito linda no inverno; ótima desculpa pra voltar pelo menos uma vez mais.

CONTATO DOS REMISES – Alejandro: + 54 9 261 659 5315; Dario: +54 9 261 500 8936