A passageira indica: Veneza

Em 2012, passei cerca de 3 meses viajando pela Europa. Uma das minhas paradas, é claro, foi a Itália; a passagem foi rápida (o país certamente merece muitas visitas – há vários destinos interessantes, e decidir quais visitar não é tarefa fácil), mas não pude deixar de dedicar pelo menos um dia a Veneza.

Veneza 1

Veneza é, sem dúvida, a cidade mais peculiar que já visitei. Os canais são as “ruas” que cortam a cidade; os vaporettos, pequenas embarcações que cruzam esses canais, fazem as vezes de ônibus. Em terra firme, o emaranhado de ruelas torna a localização um pouco complicada. Todos esses fatores podem levar à conclusão de que ir para Veneza é uma dor de cabeça para qualquer turista, mas não é bem assim: é justamente isso tudo que torna a cidade única.

Nós chegamos a Veneza de trem. Desembarcamos na estação Santa Lucia e pegamos um vaporetto com destino ao nosso hotel, que ficava nos arredores da Piazza San Marco – o principal ponto da cidade. Embarcar com malas grandes nos vaporettos pode ser um pouco complicado, sobretudo quando não se encontra lugar para sentar e é preciso tentar se equilibrar e segurar a mala ao mesmo tempo. Para quem chega de trem e vai ficar pouco tempo na cidade, recomendo deixar as malas grandes e pesadas no guarda-volumes da estação e levar consigo apenas uma mochila. Isso porque além de ser um tanto complicado embarcar no vaporetto com uma mala grande, mais complicado ainda é subir e descer as pontes – com suas onipresentes escadas – para se chegar ao destino final. Outra opção é se hospedar perto da estação de trem.

Ficamos no hotel San Gallo, que, como já mencionei, é super bem localizado –  basta cruzar uma das arcadas da Piazza San Marco e andar mais alguns passos (é claro que, na chegada, achar o hotel não foi tão fácil; caminhamos muito!). A hospedagem em Veneza é cara; na época, esse era um dos hotéis mais em conta naquela região. Recomendo não apenas pela localização, mas também pelas instalações, que são muito boas; o café da manhã é gostoso e bem servido. O único porém de ficar nos arredores da Piazza San Marco é que, à noite, a água brota do chão (!) e não é possível cruzar alguns pontos da praça, o que pode obrigar a uma volta que, em condições normais, seria desnecessária.

Veneza 5

Veneza possui inúmeras e importantes galerias de arte, destacando-se a Galleria dell’Accademia e a Coleção Peggy Guggenheim. Mas, como tínhamos apenas um dia, nos dedicamos a caminhar pelas vielas da cidade e a admirá-la a partir dos vaporettos; andar nesses ônibus aquáticos pode ser um pouco caro, mas é preciso levar em consideração que, além de meio de transporte, é um meio de se conhecer a cidade – cada viagem é um passeio. Pra quem se dispõe a desembolsar um pouco mais, fazer um passeio de gôndola é uma ótima opção.

Cruzar o Canal Grande quantas vezes for possível é atividade obrigatória. É no entorno desse canal que ficam alguns dos mais belos exemplares arquitetônicos de Veneza. A Ponte di Rialto é a mais bonita ponte da cidade; uma infinidade de turistas ocupa, diariamente, as suas escadarias. Aliás, infinidade de turistas é o que se vê todos os dias em Veneza, em especial na Piazza San Marco. Quem consegue acordar cedo provavelmente tem a oportunidade de contemplar a cidade acompanhado de um número menor de pessoas.

Na Piazza San Marco, várias são as atrações turísticas: a basílica que leva o mesmo nome; o Campanile di San Marco; o Palazzo Ducale; a Torre dell’Orologio. Vale a pena parar por alguns (vários!) minutos para admirar cada detalhe dessas e das demais construções que ficam na Piazza.

Veneza 2

Pra mim, o melhor a se fazer em Veneza é perder-se pelas ruelas. Ver o básico, que todo turista vê, é obrigatório, é claro; mas caminhar sem rumo é o que sempre traz as melhores surpresas. Além de fugir da multidão, quem caminha sem rumo encontra lugares que revelam a verdadeira essência da cidade.

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Antes de ir embora, fomos supreendidos por uma comemoração muito animada em homenagem ao dia da república na Piazza San Marco.

Veneza 3

Quem não tem interesse em visitar as galerias de arte e fazer passeios às ilhas que se espalham pela laguna, um dia é suficiente para dar uma boa olhada em VenezaPra quem fica mais tempo na cidade, uma opção interessante é conhecer as ilhas de Murano e Burano. Em Murano, é possível verificar de perto a produção das peças compostas pelo cristal (ou vidro?) que leva o nome da ilha. Creio que três dias são suficientes para quem quer ir a pelo menos duas galerias de arte, explorar a cidade e visitar uma ou duas ilhas.

Sobre restaurantes: não lembro os nomes dos lugares em que comemos; posso dizer, com certeza, que foram lugares que encontramos nesses cantinhos escondidos da cidade – nos quais, aliás, é possível comer por um valor menor. E, como em todo o resto da Itália, pedir um gelato pra arrematar a refeição é uma escolha inteligente.

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