A passageira indica: Ruca Malen

A terceira e última vinícola que visitamos em Mendoza foi a bodega Ruca Malen. Situada em Luján de Cuyo, a bodega, cujo nome foi inspirado na lenda de uma jovem mapuche (povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina), ocupa uma bonita propriedade aos pés dos Andes e oferece vistas lindas.

DSC_0553

DSC_0556

DSC_0545

A bodega é relativamente nova, tendo elaborado seus primeiros vinhos em 1999. Além das visitas guiadas e da degustação, a Ruca Malen oferece almoços que são muito elogiados por aí (basta ver as críticas no Trip Advisor – das 421 opiniões, 313 qualificam a bodega como “excelente” – a maioria destaca o ótimo almoço). Não conseguimos reserva para almoçar, infelizmente (repito: tem de reservar com antecedência!), mas, pelos pratos que vi enquanto estive lá, o almoço parece ser mesmo muito bom! A bodega serve o almoço em dois ambientes diferentes: no prédio principal, em um salão não muito grande, e em outra construção que fica ao lado, toda envidraçada e colada nos parreirais. O almoço, composto de cinco pratos, é harmonizado com vinhos da bodega.

DSC_0558

Fizemos a visita guiada seguida de degustação. A guia era muito simpática; depois de contar a lenda da qual se originou o nome da bodega, ela nos mostrou as instalações da vinícola e falou um pouco sobre o processo de produção. Em seguida, fomos para a sala de degustação, da qual se tinha uma bela vista dos Andes e dos parreirais.

DSC_0574

Optamos pela degustação “standard”, que permite experimentar vinhos de três linhas diferentes: Yauquen, Ruca Malen e Kinien. A guia conduziu muito bem a degustação, explicando as características de cada vinho – que eram todos muito bons. Ao contrário da Clos de Chacras, a degustação oferecida pela Ruca Malen é muito bem servida, tanto que mal consegui terminar uma taça inteira.

DSC_0584

A vinícola também oferece uma degustação “premium”, na qual se pode provar seis vinhos das linhas Ruca Malen e Kinien. Além disso, a partir das 13h é possível degustar os vinhos acompanhados de queijos, fiambres e empanadas. De acordo com o site, as visitas podem ser em inglês, espanhol ou português (nossa guia falava espanhol, mas não foi muito problemático entendê-la – ao contrário dos porteños, os mendocinos não falam rápido demais). Não lembro exatamente quanto pagamos pela visita + degustação, mas não passou de R$ 50,00.

Seja pelos ótimos vinhos, seja pela bonita propriedade, vale a pena visitar a Ruca Malen.

A passageira indica: Familia Zuccardi

Como já contei em outro post, nossa viagem pelo Chile sofreu uma pequena interrupção e fomos parar em Mendoza. Tínhamos dois dias cheios para aproveitar as vinícolas da região e uma escolha complicada: quais visitar?

Conheci a bodega da Familia Zuccardi assistindo ao programa Masterchef, na Band (recomendo!!) – em um episódio, eles foram até Mendoza e o local da prova do dia era justamente a propriedade da Familia Zuccardi. Embora se trate de uma grande vinícola, não lembro de ter ouvido a respeito antes. Quando chegou a nossa hora de escolher quais vinícolas conhecer, acessei o site da Zuccardi e descobri que eles oferecem uma infinidade de programas para os visitantes – desde cursos de degustação até picnics nos jardins. O programa que mais me interessou: o Vení a cocinar, que envolvia aula de culinária, almoço, visita à bodega e degustação, ocupando praticamente o dia todo, das 10h30 às 16h30.

A propriedade possui dois restaurantes, o Casa del Visitante e o Pan & Oliva, e ambos oferecem o programa. Aí já surgiu outra dúvida: qual escolher? Já que a proposta dos dois restaurantes é diferente – e, de consequência, também é diferente a proposta da aula de culinária oferecida por cada um -, foram horas e horas de pesquisa pra descobrir qual o melhor e de troca de ideias. O Casa del Visitante oferece um ambiente em estilo rústico/refinado (existe isso? hehe) e trabalha tanto com menus degustação, com 9 ou 12 passos, como com carnes a la parrilla – ou seja, churrasco argentino; Pan & Oliva, por seu turno, tem um ambiente um pouco mais simples, numa mistura de mercearia com restaurante, e oferece massas e saladas. A aula de culinária do primeiro é destinada a ensinar como fazer pães e empanadas; a do segundo, a ensinar a fazer pizzas e tapas. Como sempre, nosso principal guia foi o Trip Advisor: seguindo as avaliações de quem já passou por lá, escolhemos o Casa del Visitante (que, apesar de alguma hesitação, sempre foi minha opção – pelas fotos, me agradou mais). Mas, ao tentar marcar a visita, descobrimos que toda a discussão sobre qual escolher foi em vão: não havia vagas para o programa na Casa del Visitante. Assim, não nos restou alternativa senão o Pan & Oliva.

Nosso motorista, o Alejandro, nos buscou às 9h45 e, meia hora depois, estávamos na Zuccardi. Fomos direto ao Pan & Oliva.

DSC_0478

DSC_0475

Chegando lá, a movimentação não indicava que logo haveria uma aula de culinária. Falamos com a recepcionista e ela pediu para aguardarmos um pouco; logo em seguida, voltou com a informação de que a aula seria realizada no Casa del Visitante – era bem o que queríamos! O Alejandro estava nos esperando ali pela frente e nos levou até o Casa del Visitante, que fica a uma distância que, sob um sol de 35 graus, não pode ser considerada desprezível. A moça que nos recebeu disse que haviam enviado um email informando que havia ocorrido uma desistência e que seria possível realizar o programa no Casa del Visitante – mas, como eu estava em férias, até esqueci de checar email.

O ambiente do Casa del Visitante é mais bonito. Em frente ficam as videiras e há um bonito jardim. A casa é toda envidraçada e cercada de árvores e plantas.

DSC_0481

DSC_0494

Fomos recebidos nessa sala, onde esperamos alguns minutos até a aula de culinária começar. Embora no site houvesse a informação de que o programa inclui café da manhã, o máximo que nos ofereceram foi suco de laranja ou café – de qualquer modo, havíamos tomado café da manhã no hotel, então não fez falta.

A aula ocorre na própria cozinha do restaurante – ou seja, enquanto a gente se diverte fingindo que cozinha, tem gente cozinhando de verdade! A responsável pela “padaria” do restaurante, uma senhora muito simpática, é quem ministra a aula. A primeira lição foi como fazer pão; a segunda, como fazer empanadas em três sabores diferentes (cebola, carne e queijos); a terceira, como fazer os pastelitos mendocinos, pastéis típicos da região feitos com o que sobra da massa das empanadas, recheados com geleia de membrillo (tentei muito descobrir qual o nome dessa fruta em português, mas aparentemente não a temos por aqui) e fritos. É claro que não é “A” aula de culinária, até porque os “pratos” são bem simples, mas foi muito divertida e quase uma terapia – sobretudo depois que o guia de um casal de americanos sugeriu que nos servissem um vinho torrontés maravilhoso (não sei por que raios não comprei no mínimo um pra trazer pra casa – torrontés é uma uva desenvolvida na Argentina e que produz excelentes vinhos brancos). A foto abaixo foi tirada pela minha cunhada quando a nossa “prof” colocava nossas empanadas para assar no forno de barro enquanto apreciávamos um bom vinho! =)

IMG-20141228-WA0007

Depois de prontas, pudemos provar as empanadas na sala da foto acima (com mais vinho presente, é claro) – e essa foi nossa entrada para o almoço.

DSC_0503

Quando todo mundo já está servido de empanadas, os “alunos” são encaminhados para suas respectivas mesas no restaurante. Ficamos em uma parte super bonita, toda envidraçada.

DSC_0504

Pra começar (ou melhor, continuar), chegam, em primeiro lugar, os indefectíveis pãezinhos, acompanhados dos três tipos de azeite de oliva produzidos pela Zuccardi – frantoio, arauco e changlot, sendo o primeiro o mais fraco e o último o mais intenso. Os azeites de oliva são muito bons – aliás, para fazer o pão podíamos utilizar qualquer uma dessas três variedades.

DSC_0510

Antes que eu esqueça: pra quem escolhe o menu regional (ou seja, a parrillada) e não faz a aula de culinária, também são servidas empanadas como entrada.

Logo depois, chegam os pratos de saladas (alface, tomate, cenoura) e os vegetais grelhados (abobrinha, berinjela, cebola…); em seguida, as carnes se apresentam – uma melhor que a outra! A gula não permitiu que eu abandonasse os talheres pra tirar fotos, mas acreditem: as carnes eram muito boas…

Nem preciso dizer que, durante o almoço todo, são servidos os mais diversos tipos de vinhos, tudo à vontade (assim como a água). E, quando chega a sobremesa, o vinho de sobremesa vem junto. Vale a pena ir com sede! =)

Depois de toda essa orgia gastronômica e etílica, nada melhor do que um café ou um chá com biscoitinhos…

DSC_0511A essa altura ninguém mais quer saber da visita, mas, como estava incluída, lá fomos nós. Por sorte, foi bem rápida – pra quem faz a primeira visita a uma vinícola, talvez seja rápida e superficial demais. Uns quinze minutos depois, já estávamos na sala de degustação, que incluía apenas dois vinhos (ou três? Nem lembro, minha cota de vinho já estava estourada). Por um valor a mais é possível incluir um espumante ou algum outro vinho mais top – vale lembrar que a Zuccardi engarrafa rótulos como Santa Julia e há linhas específicas como a Tardío e a Malamado.

Toda essa brincadeira custou R$ 250, aproximadamente. É caro? Bom, não é dos passeios mais baratos, mas, por tudo o que oferece – a aula divertida, o ótimo almoço com vinhos ilimitados, a visita à bodega com degustação inclusa -, compensa. Como dura o dia todo, visitar outras vinícolas no mesmo dia é inviável (inclusive fisicamente).

Pra quem não tem interesse na aula de culinária, os restaurantes também servem almoço; não deixe de reservar com antecedência, principalmente se o foco for ir à Casa del Visitante. Basta entrar no site: http://www.casadelvisitante.com.

Ah, e quem faz a aula de culinária já garante o café da manhã do dia seguinte: cada um leva o pão que confeccionou, assim como as empanadas que sobraram e os pastéis de membrillo!

P.s.: esqueci de comentar sobre os vinhos que nos serviram no almoço! Não apenas o torrontés era bom como os outros também; o vinho de sobremesa me impressionou (era docinho, mas não enjoativo). Só não gostei de um cabernet sauvignon (não lembro o rótulo) – mas, como eu não entendo nada de vinhos, sugiro que você vá e experimente todos!

A passageira indica: Bodega Bouza

O Uruguai conta com inúmeras vinícolas e produz ótimos vinhos. Em novembro de 2012, durante uma visita a Montevidéu, fui conhecer a Bodega Bouza, uma vinícola que produz vinhos finos e em quantidade limitada.

DSC_0182

A vinícola possui duas propriedades; uma delas fica a cerca de 10/15 minutos do centro de Montevidéu. Chegamos e esperamos cerca de meia hora até o início da próxima visita guiada agendada para aquele dia. Passeamos pelo jardim, pelo vinhedo e fomos levados até as instalações onde ficam os equipamentos utilizados no preparo do vinho e as barricas de carvalho. O guia explicou todos os passos seguidos na elaboração dos vinhos comercializados pela vinícola. É possível ver, também, a coleção de automóveis clássicos da família proprietária da bodega.

DSC_0204

Mas a parte mais esperada, pra mim, é sempre a degustação: na Bouza, duas opções são oferecidas – a degustação “normal” e a degustação top, na qual são servidos os melhores vinhos produzidos pela bodega. Escolhemos a degustação normal, que incluía 5 vinhos da linha “média”, bem como queijos, fiambres e pães. Um simpático atendente servia os vinhos e, com um português bastante bom, nos explicava suas características. O ambiente era muito bonito e agradável e os pães, queijos e fiambres servidos eram muito bons – não sobrou nada!

DSC_0232

Os vinhos eram igualmente muito bons (eu não sou uma grande conhecedora de vinhos, embora goste bastante da bebida, então minha análise se resume ao “gosto/não gosto”) – gostei de todos os que foram servidos, especialmente do tannat! Pra quem quiser comprar, há uma lojinha, que vende também alguns acessórios de lã e de couro. Os preços são condizentes com a qualidade do vinho (não são baratinhos, mas também nada muito caro); na volta, encontramos alguns itens da bodega em free shops no Chuy (pelo mesmo preço que eram vendidos na vinícola). Aqui no Brasil os preços são bem mais caros, e não se acha os vinhos da Bouza em qualquer lugar.

Resumindo: um bom passeio para quem vai a Montevidéu. Segundo informações do site (dezembro/2014), há visitas guiadas às 11h, às 13h30 e às 16h nos dias de semana e às 11h e às 16h em finais de semana e feriados. A degustação “normal”, incluída a visita guiada, sai por cerca de R$ 75 por pessoa (e 4 tipos de vinhos da linha média); a degustação top custa cerca de R$ 120 por pessoa, também incluída a visita guiada (são servidos 4 tipos de vinhos da linha superior). O restaurante onde é feita a degustação serve, também, pratos a la carte.